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O
final do século XVIII e o século
XIX mostram a inadequação do
sistema colonial para o
desenvolvimento, e a segunda
metade do século XIX, apesar da
manutenção de uma economia
escravista e agrária voltada para
o setor de consumo externo, já
apresenta o contorno de atividades
capitalistas, destacando-se a Província
de São Paulo, onde a cafeicultura
substitui a mão de obra escrava
por trabalhadores assalariados.
Superando
as exportações de açúcar e
algodão, a produção do café
– destinada ao consumo
norte-americano – além de
aumentar a receita, arrefece a
dependência comercial do Brasil
à Inglaterra.
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A
abolição do tráfico negreiro (1850) e
as barreiras alfandegárias(1844) à
importação de produtos e investimentos
estrangeiros, favorecem a expansão da
rede bancária e conseqüentemente de créditos
direcionados aos serviços urbanos, à
industrialização e ferrovias, onde
destacam-se as iniciativas do Barão e
Visconde de Mauá, que também tentou
estabelecer o Estaleiro da Ponta da Areia
(Niterói).
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A
baixa capacidade de consumo do trabalhador
escravo negro, torna-o anti-econômico e
acelera o processo abolicionista, como se
pode constatar na Lei Visconde do Rio
Branco, na Lei Saraiva-Cotegipe e na Lei
Áurea (1888). A escravidão indígena,
diversas vezes proibida e várias vezes
permitida, foi extinta em 1755 pelo Marquês
de Pombal, cujo objetivo político de
retirar Portugal da dependência dos
ingleses e estimular a economia lusa, não
media esforços nem palavras, como se pode
observar em mensagem para o ministro inglês
Lord Chatham onde esclarece:
“[...]a
Inglaterra se tem tornado senhor de nossas
minas e nos despoja regularmente de seus
produtos. Um mês depois que a frota do
Brasil chega, já dela não há uma só
moeda de ouro em Portugal. Grande
utilidade para a Inglaterra, pois que
continuamente aumenta sua riqueza monetária,
e a prova é que a maior parte de seus
pagamentos de Banco se fazem com o nosso
ouro, por efeito de uma estupidez nossa,
de que não há exemplo em toda história
universal do
mundo
econômico”.
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O
desejo inglês de estabelecer relações
comerciais com as colônias americanas, violando
constantemente (através do contrabando) o monopólio
luso e espanhol, teve nas Guerras Napoleônicas o
momento perfeito para legalizar seus interesses,
quando seus representantes em Portugal (Lord
Strangford e o Almirante Sidney Smith) estabelecem
condições para a retirada da família real
portuguesa, a exemplo da abertura dos portos com
vantagens aos produtos ingleses que seriam
exportados para o Brasil.
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A
abertura dos portos, configurando o comércio
internacional
deficitário
(saldado com empréstimos externos),
abalam as economias do país e
desequilibram as finanças de
particulares, onde, nas palavras de Caio
Prado Júnior :
"A
vaidade sobrepondo-se a quaisquer outras
considerações contará
então
como um fator econômico de primeira
ordem. [...] Não serão poucos os que se
arruinarão na ânsia de se aproximarem da
corte e nela figurarem, alcançarem títulos,
condecorações e honrarias. Situação
que o rei, sempre em aperturas
financeiras, não deixará de explorar.”
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Considerando
a colocação acima, acredita-se poder compreender
um pouco a sociedade brasileira, onde muitas
vezes, apresentando novos matizes e novas
roupagens, o ranso colonial é palpável na dependência
econômica e cultural, cujos contornos do
servilismo podem ser identificados na satisfação
dos interesses externos, lembrando sempre que
qualquer sociedade dependente, tem sobre os ombros
uma evidente dominação de nações poderosas.
Embora a sociedade brasileira seja um exemplo de
miscigenação, o caráter mimético dos planos
econômicos elaborados por uma elite pensante
embriagada de padrões europeus ou
norte-americanos, deságuam numa imagem distorcida
deste país, sempre de costas à realidade
nacional e sempre de frente para o estrangeiro.
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