Perspectivas do Século XXI

                     

RESUMOS HISTÓRICOS

 

 

 

 

 

A dificuldade para o auto-conhecimento cultural carreada pelas transformações contemporâneas, acentuam a já tênue percepção da realidade pelos cientistas sociais, graças a tipicidade destes profissionais como componentes do objeto de estudo.

Mas esta característica não anulará a reflexão sobre a investida globalista atual exarada dogmaticamente como única direção do processo de desenvolvimento compreendido como história.

  Tentar-se-á, sempre, neste espaço, uma breve interpretação do senso comum que enfatiza a totalidade das idéias, atitudes e comportamentos, fundados no sistema de valores aceitos e determinantes que orientam a presente transformação sócio-cultural brasileira.

A configuração da América Latina, e dos países como o Brasil, diante da perda dos suportes institucionais desestruturados pela célere globalização da máquina econômica, aponta para alterações ínsitas aos conceitos de nação e nacionalidades diante da desterritorialização econômico-social e conseqüente enfraquecimento político expressados nos organismos internacionais que abarcam o processo de desenvolvimento econômico, geralmente olvidando a evidência do homem como sujeito da economia, e onde a civilização se apresenta com a face transfigurada pela reviravolta do cenário político-econômico contemporâneo, como conseqüência do mau-uso dos recursos e da extrema rigidez do princípio do lucro.

A responsabilidade do Brasil no fazer sua própria história, não pode desconsiderar o desequilíbrio dos sistemas financeiros e monetários globais que sobrevieram ao desaparecimento do virtual equilíbrio do terror que caracterizou a Guerra Fria, como elementos favoráveis ao surgimento de novas estratégias para o controle de recursos, configuradas na dilatação do estabelecimento oligárquico, perceptíveis nos debates sobre a Seguridade Social, na matança africana, na emancipação dos territórios indígenas (receptáculos de reservas minerais), nas privatizações que podem encobrir como única, a maneira de solucionar a falência fraudulenta dos fundos de pensão patrocinados pelos CEPs, ou no balizamento da disputa sobre a propriedade industrial que envolve a questão tecnológica na discutível Lei das Patentes, através dos organismos multilaterais presentes no FMI, no GATT e na OMC.

A complexidade do atual cenário brasileiro que sobreveio ao agravamento da situação econômico-social, acentuada nos anos 80, em face da crescente dívida externa, comprometeu consideravelmente a relação do Brasil com países e instituições financeiras como o FMI, de forte influência norte-americana, apesar da dramática situação dos anos 70 e 80 ter desvanecido parte da arrogância keynesiana caracterizada por idéias relativas às crises econômicas ao negar a eficácia dos mecanismos expontâneos existentes nos países em desenvolvimento.

A etiologia da hegemonia norte-americana, de cunho evidentemente expansionista, esboçou-se no século XIX (1893) com a conhecida Doutrina Monroe, que estabelecia apoio à independência das nações latino-americanas e a proibição a países não-americanos em empreendimentos colonialistas no continente, o que caracterizou a política do Big Stick ainda presente, como se pode constatar nas questões relacionadas à Amazônia, a exemplo da Nação Yanomami. 

A visibilidade do desenvolvimento industrial brasileiro após a Segunda Guerra, percebido na mecanização do campo e na imigração estrangeira, centraliza a vida econômica do país na região platina, simultaneamente a uma acelerada urbanização do sistema social, demonstrando que além das diversidades regionais, crescem as desigualdades sociais nos centros urbanos, onde a tessitura social apresenta uma evolução assustadora configurando o país sob o peso da regionalização territorial, caracterizando fatores nacionais inibidores nos contrastes rurais e urbanos, e na diversificação no espaço urbano, carreando a complexidade de possíveis soluções, na medida em que os centros de decisão extrapolam atualmente as fronteiras nacionais, indicando a necessidade de uma visão comedida, fundamentada em grande parte na análise de Latouche (A ocidentalização do mundo, 1994) sobre o empobrecimento cultural, que conduz a interrogações sobre a barbárie contemporânea, na qual a comunicação entre as diferentes culturas só existirá se houver disposição a concessões baseadas na reciprocidade. Caso contrário, constatar-se-á a fraude de uma pseudo universalidade imposta de forma violenta, e perpetuada na negação da outra. 


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