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Tentar-se-á,
sempre, neste espaço, uma breve
interpretação do senso comum que
enfatiza a totalidade das idéias,
atitudes e comportamentos,
fundados no sistema de valores
aceitos e determinantes que
orientam a presente transformação
sócio-cultural brasileira.
A
configuração da América Latina,
e dos países como o Brasil,
diante da perda dos suportes
institucionais desestruturados
pela célere globalização da máquina
econômica, aponta para alterações
ínsitas aos conceitos de nação
e nacionalidades diante da
desterritorialização econômico-social
e conseqüente enfraquecimento político
expressados nos organismos
internacionais que abarcam o
processo de desenvolvimento econômico,
geralmente olvidando a evidência
do homem como sujeito da economia,
e onde a civilização se
apresenta com a face transfigurada
pela reviravolta do cenário político-econômico
contemporâneo, como conseqüência
do mau-uso dos recursos e da
extrema rigidez do princípio do
lucro.
A
responsabilidade do Brasil no
fazer sua própria história, não
pode desconsiderar o desequilíbrio
dos sistemas financeiros e monetários
globais que sobrevieram ao
desaparecimento do virtual equilíbrio
do terror que caracterizou a
Guerra Fria, como elementos favoráveis
ao surgimento de novas estratégias
para o controle de recursos,
configuradas na dilatação do
estabelecimento oligárquico,
perceptíveis nos debates sobre a
Seguridade Social, na matança
africana, na emancipação dos
territórios indígenas (receptáculos
de reservas minerais), nas
privatizações que podem encobrir
como única, a maneira de
solucionar a falência fraudulenta
dos fundos de pensão patrocinados
pelos CEPs, ou no balizamento da
disputa sobre a propriedade
industrial que envolve a questão
tecnológica na discutível Lei
das Patentes, através dos
organismos multilaterais presentes
no FMI, no GATT e na OMC.
A
complexidade do atual cenário
brasileiro que sobreveio ao
agravamento da situação econômico-social,
acentuada nos anos 80, em face da
crescente dívida externa,
comprometeu consideravelmente a
relação do Brasil com países e
instituições financeiras como o
FMI, de forte influência
norte-americana, apesar da dramática
situação dos anos 70 e 80 ter
desvanecido parte da arrogância
keynesiana caracterizada por idéias
relativas às crises econômicas
ao negar a eficácia dos
mecanismos expontâneos existentes
nos países em desenvolvimento.
A
etiologia da hegemonia norte-americana, de
cunho evidentemente expansionista, esboçou-se
no século XIX (1893) com a conhecida
Doutrina Monroe, que estabelecia apoio à
independência das nações
latino-americanas e a proibição a países
não-americanos em empreendimentos
colonialistas no continente, o que
caracterizou a política do Big Stick
ainda presente, como se pode constatar nas
questões relacionadas à Amazônia, a
exemplo da Nação Yanomami.
A
visibilidade do desenvolvimento industrial
brasileiro após a Segunda Guerra,
percebido na mecanização do campo e na
imigração estrangeira, centraliza a vida
econômica do país na região platina,
simultaneamente a uma acelerada urbanização
do sistema social, demonstrando que além
das diversidades regionais, crescem as
desigualdades sociais nos centros urbanos,
onde a tessitura social apresenta uma
evolução assustadora configurando o país
sob o peso da regionalização
territorial, caracterizando fatores
nacionais inibidores nos contrastes rurais
e urbanos, e na diversificação no espaço
urbano, carreando a complexidade de possíveis
soluções, na medida em que os centros de
decisão extrapolam atualmente as
fronteiras nacionais, indicando a
necessidade de uma visão comedida,
fundamentada em grande parte na análise
de Latouche (A ocidentalização do mundo,
1994) sobre o empobrecimento cultural, que
conduz a interrogações sobre a barbárie
contemporânea, na qual a comunicação
entre as diferentes culturas só existirá
se houver disposição a concessões
baseadas na reciprocidade. Caso contrário,
constatar-se-á a fraude de uma pseudo
universalidade imposta de forma violenta,
e perpetuada na negação da outra.
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