BRASILEIROS DE HOJE

 

 

 

 

Este espaço estará reservado para a divulgação de matérias enviadas para o Brasil Brasileiro. Semanalmente serão selecionados escritos que  exemplifiquem o comportamento do brasileiro contemporâneo.

Recebemos permissão para divulgar matérias dos sites NO MÍNIMO e COLUNAS/ JBONLINE, onde colunistas competentes analisam diariamente o cenário nacional. Mais do que isso: fazem a História Brasileira. O BRASIL BRASILEIRO, após contato com os responsáveis pelas colunas, resolveu que a melhor forma de prestigiar o trabalho por aqueles colunistas desenvolvidos, é expô-los neste espaço, como legítimos representantes dos BRASILEIROS DE HOJE.

 Quinzenalmente, também são selecionadas e reproduzidas matérias que evidenciem o comportamento político-histórico do atual governo.

 

O conteúdo é de inteira responsabilidade do Autor da matéria.


Um Exército para defender a Amazônia
    Cristovam Buarque 

    Reconheço que sem o Exército não teríamos o nosso território como temos hoje,
nossas fronteiras asseguradas. Como representante do Distrito Federal, devo
dizer que, sem o papel das Forças Armadas, esta cidade, talvez, não fosse a
capital porque haveria o risco, sim, de retrocesso. 
    Não seria a primeira vez no Brasil que obras ficariam inacabadas, foi
fundamental o papel dos governos militares na consolidação desta cidade. 
    Prefiro fazer aquilo que os soldados mais gostam: desafio, mais ainda do que de
homenagem. Creio que nunca na história do nosso país vivemos um momento de tanto
risco à nossa segurança. 
    Sobretudo, dois grandes eixos ameaçam a nossa segurança: a divisão interna e a
cobiça externa; a divisão interna de um País que ainda não é uma nação de tão
desiguais os brasileiros entre eles, e a cobiça externa em um momento em que a
globalização faz com que as potências ou a potência imagine que os recursos do
mundo são recursos dela, desta potência e de seu modelo social, econômico e
cultural. 
    A ameaça interna não é papel das Forças Armadas, apesar de que ela tem também
uma contribuição na formação de nossos jovens, mas a segurança interna é uma
tarefa da sociedade brasileira, especialmente por meio de uma revolução na
educação das nossas crianças. 
    Não vejo outra maneira deste País ser seguro, por melhor que sejam equipadas
nossas Forças Armadas, se continuarmos divididos: dois países dentro de um só,
uma nação incompleta. 
    Essa revolução educacional tem de ser feita - e não pode demorar - até mesmo
para que nossos soldados cheguem lá com a formação necessária. Não vou falar
disso, porque já falo demais sobre esse lado da revolução na educação como
instrumento da garantia da segurança. 
    Levanto a confiança que tenho, como Senador e do meu Partido por quem falo, de
que as Forças Armadas em bloco e, obviamente, o Exército, que hoje é o centro
das nossas atenções, serão capazes de fazer com que essa cobiça externa esbarre
na hora em que chegar aqui. 
    Temos outros riscos. Creio que as nossas fronteiras hoje sofrem ameaças, não de
invasões externas, mas de desarticulações internas dentro dos países vizinhos,
provocando migrações em massa para o nosso País. 
    Essa é uma preocupação que a gente tem de ter. Mas, sobretudo, me preocupa o
risco da cobiça externa sobre os recursos que o Brasil tem em quantidade
superior à maior parte das outras nações: a cobiça da Amazônia, da qual tanto já
falaram. 
    E eu insisto em algo que já falei anos atrás e que me surpreende até como
repercutiu tanto: "Se querem internacionalizar nossa Amazônia,
internacionalizemos todos os recursos do País e internacionalizemos todos os
patrimônios dos outros países. Enquanto não fizerem isso, ela é nossa". 
    Mas não é só a Amazônia, é a água, é o mercado, é a cultura brasileira como
consumidora de bens culturais que pode estar hoje ameaçada. 
    E eu, ao mesmo tempo em que presto a minha homenagem, faço o meu desafio de que
as Forças Armadas estejam presentes, como sempre estiveram, para que essa ameaça
externa, essa cobiça internacional não cheguem aqui. 
    Para isso, o Senado tem o compromisso de manter nossas Forças Armadas equipadas
com o que houver de mais contemporâneo e moderno, dar recursos para que nossos
soldados sejam formados com o máximo de condições de preparo para enfrentar os
desafios internacionais que estão diante de nós. 
    E eu quero dizer que podem contar com um Senador, que representa o Distrito
Federal, que estará pronto também para ser um representante de vocês, não por
razões corporativas, não por ser um ex-artilheiro, mas pelo meu sentimento de
nacionalismo, porque, talvez, além das duas ameaças que eu citei - a cobiça
externa e a divisão interna -, haja um outro risco: a perda do gosto pela
palavra nacional, nação e nacionalismo, que hoje está tomando conta do mundo
inteiro. Acreditamos e confiamos. 
    E essa homenagem é tanto pelo que foi realizado como por aquilo que esperamos
que seja realizado. 
    Não tenho dúvida de que um país é feito por cada um dos seus cidadãos, mas uma
nação é feita realmente, desculpem-me a pretensão, por soldados e professores.
Contem com um professor para servir aos soldados que defenderão o Brasil. 

    Cristovam Buarque é senador pelo PDT do Distrito Federal e ex-ministro da
Educação. Endereço eletrônico: www.cristovam.com.br.


    "É permitida a reprodução total ou parcial, desde que citada a fonte" 
    Fonte: www.inforel.org

 

 

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