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Imagens
de satélite
Localizado em média nas cordenadas latitude 30
54'S e longitude 32 o 25'W, o arquipélago
Fernando de Noronha; está aproximadamente a
360KM de Natal/RN e 545KM de Recife/PE (do qual
faz parte desde 05/10/88, como Distrito Estadual).
O arquipélago é topo de uma montanha submarina
de origem vulcânica, cuja a base está a 4.000M
de profundidade. É formado por 21 ilhas e
ilhotas, em uma área aproximada de 26KM2, sendo
Fernando de Noronha a maior , com uma área de 17
KM2, com 10 KM no eixo maior, e largura máxima de
3,5 KM. Uma volta em torno da ilha equivale a 60
KM. O
mapa de cantino, enviado em novembro de 1502 a
Ercole d'Este, Duque de Ferrara, já indica o
arquipélago como Ilha da Quaresma, o que
leva a supor que o conhecimento da existência da
ilha só poderia advir de expedições que por ela
passaram em 1500, 1501 ou 1502, no tempo da
quaresma. O Visconde de Santarém atribuiu a
descoberta a Gaspar de Lemos comandante da nau
de provisões da armada de Cabral, enviada de
volta a Portugal em 1500 com a notícia de que
fora achada a terra de Santa Cruz.
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Certamente a
nau não cruzou a região no período da quaresma,
mas, depois de bordejar a costa brasileira
cortando pau-brasil, pode ter avistado o
arquipélago a 24 de junho, no dia de São
João, cujo nome teria dado a ilha. |
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Carta náutica impressa em Paris - 1852
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Após
longa pesquisa, Duarte Leite concluiu que a
descoberta da ilha foi feita pela expedição de
1501-1502, atribuindo erradamente o comando a
Fernão de Loronha.
Jaime
Cortesão, historiador português, assinala a
vinda nos anos de 1502-1503 ao Brasil de uma
desconhecida expedição, e da qual existem fortes
vestígios o que explicaria questões relacionadas
à citação da ilha em cartas geográficas do
período. O comando dessa expedição seria
Fernão de Loronha, que pessoalmente, iniciou o
desbravamento da terra que arrendara para a
exploração do pau-brasil.
O
primeiro a descrevê-la foi Américo Vespucci, ao
participar da expedição de Gonçalo Coelho
(1503-1504). Por decreto de 16 de fevereiro de
1504, D. Manuel I doou a Fernão de Loronha o
arquipélago, sendo a primeira capitania
hereditária do Brasil.
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O sistema só seria
implantado no continente entre 1534 e 1536, quando
D. João III criou nada menos que quatorze, ao
longo da costa, distribuídas a doze donatários.
Os descendentes de Loronha foram recebendo por
decreto real o título de posse da ilha até o
último, seu trineto, João Pereira Pestana em
1692. Em
1534 o arquipélago de Fernando de Noronha foi
invadido por ingleses; em 1556 até 1612, por
franceses. No ano de 1612 aportou o missionário
capuchinho Cláudio de Abbeville, que encontrou no
local um português e dezessete índios de ambos
os sexos, todos desterrados pelos moradores de
Pernambuco. |

Brasão
de Fernão de Loronha - Sec XV-XVI
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Em
1628, Noronha foi invadida pelos holandeses,
desalojados dois anos depois pela expedição
comandada por Rui Calaza Borges a mando de Mathias
de Albuquerque em 14 de janeiro de 1630. Em nova
investida, em 1635, os holandeses voltam a ocupar
a ilha, sob o comando do almirante Cornelis
Cornelizoon Jol, permanecendo por dezenove anos.
Neste período, a ilha foi usada pelos holandeses
como local de tratamento e convalescença de seus
homens devido a doenças como o escorbuto e pela
disenteria sanguínea, que atingiram um terço da
tropa estacionada em Pernambuco. A ilha passa a
chamar-se Pavônia, em homenagem a
Michiel de Pauw, um dos diretores da Companhia das
Índias Ocidentais. Em 1646 os holandeses
constroem um fortim na elevação onde mais tarde
seria erguido o Forte de Nossa Senhora dos
Remédios.
Em
1696, carta régia de 7 de setembro, manda povoar,
guarnecer a ilha com um destacamento, escolher os
melhores locais para fortificar, para evitar as
constantes invasões. Essa resolução não foi
cumprida, continuando o território atlântico a
mercê dos invasores.
Em
24 de setembro de 1700 a capitania de Fernando de
Noronha reverte à coroa, tornando-se por carta
régia, dependência da Capitania de Pernambuco.
Achando-se despovoada e em completo abandono, foi
a ilha ocupada em 1736 pelos franceses da
Companhia Francesa das Índias Orientais,
passando-se a chamar Isle Dauphine
No
ano de 1737 o arquipélago foi definitivamente
ocupado pelos portugueses, sendo os franceses
expulsos por uma expedição vinda do Recife a
mando do governador Henrique Luís Pereira Freire
e comandada pelo tenente-coronel João Lobo de
Lacerda, à frente de 250 praças, sem nehuma
resistência. A fim de impedir novas investidas
dos franceses, são construídos os fortes de
Nossa Senhora dos Remédios, Nossa Senhora da
Conceição e Santo Antônio.
A
igreja de N.S. dos Remédios, marco da nova
povoação, foi concluída em 1772. Provavelmente
nesta época, começaram a ser enviados para a
ilha os primeiros presos, embora de forma
ocasional. Essa destinação gerou medidas
preventivas que vieram a alterar, profundamente, o
meio ambiente insular, tanto com a destruição de
grande parte de sua cobertura vegetal,
derrubando-se árvores para evitar fugas e
esconderijos de presos, como a introdução de
espécies estranhas ao local, causando
modificações de consequências visíveis até os
nossos dias.
Em
1739 são construídos os fortes de São João
Batista dos Dois Irmãos e São Joaquim do Sueste.
Em 1755 por carta régia de 16 de agosto, Angola
passou a contribuir com a quantia anual de
4.000$000, para cobrir as despesas do presídio de
Fernando de Noronha, subsídio esse que durou até
a véspera da proclamação da independência do
Brasil. Em 1789, o governo português pretendeu
instalar uma colônia agrícola na ilha, visando
torná-la menos dispendiosa aos cofres reais,
idéia essa que não foi aceita pelo então
governador de Pernambuco D.Thomás José de Melo.
Em
1817, por ocasião da revolução republicana de
Pernambuco, o governo provisório nomeou o
capitão José de Barros Falcão de Lacerda para
desmantelar as fortificações da ilha e levar de
volta o destacamento e os sentenciados. Em 1822,
assume o comando de Fernando de Noronha o coronel
Luís de Moura Accioli. A ilha continua a ser
dependência de Pernambuco, passando seus assuntos
internos para o âmbito do Ministério da Guerra.
Em 1865 é promulgado o regulamento para o
presídio e em 1877 é transferida a
administração e o custeio para o Ministério da
Justiça. Em 1885 o imperador Pedro II assina
decreto aprovando novo regulamento para o
presídio.
Proclamada
a república, convidado para ministro da justiça,
o Barão de Lucena, exigiu uma condição para
aceitar o cargo : que Fernando de Noronha voltasse
ao domínio de Pernambuco. Assim sendo, em 1891
foi concretizada a restituição, na forma do
decreto 1.371 de 14 de novembro.
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Embarque
- presos levando visitantes em liteiras (1939)
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Em
1897 o governo do Estado de Pernambuco toma posse
definitiva do presídio de Fernando de Noronha,
que passa a ser prisão estadual, permanecendo o
arquipélago sob domínio pernambucano até o ano
de 1938, quando foi vendido ao Ministério da
Justiça, tendo o governo federal pago a título
de compensação a quantia de Cr$ 2.000.000,00,
transformando a ilha em presídio político e
colônia correcional.
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No
começo do século XX, instalaram-se os ingleses
para cooperação técnica em telegrafia (South
American Company); depois vieram os franceses
do cabo Francês e os italianos da Italcable. Em
1942, em plena 2a. guerra mundial, transformou-se
em Território Federal, sendo os presos políticos
e comuns transferidos para o presídio da Ilha
Grande.
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Canhão
instalado entre as baias dos Porcos e
do Sancho ( 1942)
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Zepellin,
sobrevoando Fernando de Noronha ( 1933)
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Em
1943, decreto federal dispõe sobre a
administração da nova unidade da federação,
que ficou a cargo do então Ministério da Guerra.
Em 23 de agosto, assume o cargo o primeiro
governador do Território Federal de Fernando
de Noronha, o coronel Tristão de Alencar
Araripe. Noronha foi administrada pelo Exército
até 1981, pela Aeronáutica até 1986 e pelo
Estado Maior das Forças Armadas até 1987. Deste
tempo de administração militar, veio grande
parte da infra-estrutura como aeroporto, estradas,
escola, hospital etc. Acordos entre o governo
brasileiro e os Estados Unidos foram feitos para a
instalação de americanos no arquipélago de 1942
a 1945 (segunda guerra mundial) e de 1957
a 1962 (base de rastreamento de satélites),
operada pela NASA.
Em
1987 começa a administração civil, através do
Ministério do Interior, sendo o único governo
civil que o território conheceu, durando até
1988 quando por dispositivo constitucional o
arquipélago foi re-anexado ao Estado de
Pernambuco. Agora como Distrito Estadual, tem seu
destino gerido por um Administrador Geral, nomeado
pelo Governador do Estado e referendado pela
Assembléia Legislativa de Pernambuco.
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Hoje
Fernando de Noronha vive da exploração racional
do turismo, dentro das limitações impostas pelo
seu delicado ecossistema e da atividade pesqueira,
esta em caráter artesanal e voltada para o
consumo interno.
Além
do interesse histórico mencionado anteriormente,
o arquipélago foi alvo de atenção de vários
cientistas que se dedicaram a estudar sua fauna,
flora, geologia, geomorfologia, entre outros. Um
dos primeiros trabalhos foi publicado há mais de
100 anos, por Pocock (1890). Posteriormente,
Bjornberg (1954); Lopes e Alvarenga (1955);
Almeida ( 1958); Paiva (1967) entre vários
outros.
Em
dezembro de 1995, foi promulgada a lei orgânica
do arquipélago, sua constituição, ocorrendo em
março de 1996 a primeira eleição para o Conselho
Distrital, o fórum de representatividade da
comunidade local junto ao poder público.
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