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OVO DE COLOMBO
Sérgio Ferolla & Paulo Metri
(Publicado no Jornal do Commercio de 08/03/07)
Sergio Ferolla - brigadeiro e membro da Academia Nacional de Engenharia
Paulo Metri - conselheiro do Clube de Engenharia
A difícil e complexa conjuntura energética mundial, com claros sinais da inexorável exaustão das jazidas de hidrocarbonetos e as seguidas agressões ao meio ambiente pela queima dos combustíveis fósseis, reacendeu os debates sobre a importância da opção nuclear como forma de geração de eletricidade limpa e disponível ainda, por muitos anos.
Nosso país, além de envolvido nesse contexto, tem condicionantes próprias, como possuir aproveitamentos hidráulicos remanescentes, economicamente atraentes, mas com grandes barreiras sócio-ambientais para sua implantação. Também, possuímos a sexta maior reserva de urânio do planeta, mesmo estando o território nacional pouco pesquisado, além de um precioso acervo tecnológico e industrial para transformar esta reserva em energia elétrica, conquista da engenharia nacional.
Para exorcizar os fantasmas criados em relação a essa promissora fonte de energia, os brasileiros precisam se conscientizar que a tecnologia dos reatores existentes em nosso país, de água pressurizada e urânio levemente enriquecido, é a mais usada no mundo e que, desde o início da sua utilização, há mais de 50 anos, nunca foi registrado um acidente radioativo fatal. Quanto ao custo da sua energia e o da geração a partir de petróleo e gás natural, devido aos aumentos recentes dos preços destes, todos eles estão, basicamente, no mesmo nível. No entanto, a fonte nuclear proporciona a eliminação das emissões dos gases do efeito estufa em
relação às demais fontes de geração térmica, o que representa um grande atrativo no momento atual.
Assim, mostra-se como prudente e oportuno incluir as usinas nucleares sem nenhum preconceito nos planos de expansão da geração elétrica, desde que considerados todos estes aspectos de avaliação. Nesse sentido, faz-se necessário finalizar a construção de Angra 3, tornando operacionais os preciosos equipamentos, há anos estocados, bem como assegurando a preservação do valioso contingente de recursos humanos, como primeiro e decisivo passo para a continuação do programa com módulos adequados a outras regiões do território nacional.
O discurso oficial para a não conclusão de Angra 3, há anos, tem sido a carência de recursos. A opção de parceria com o capital privado, além de esbarrar no fato de ser uma aplicação de longo prazo de maturação, existe restrição constitucional
para esta possibilidade.
Por outro lado, as reservas brasileiras de petróleo a descobrir não passam de dez bilhões de barris, segundo técnicos conhecedores do subsolo nacional. Infelizmente, a política para o setor dos últimos 10 anos permite a exportação do petróleo pela empresa que o descobrir, visando auferir lucros rapidamente, o que aumenta a velocidade de exaustão das nossas reservas.
A Petrobrás também é impelida a exportar petróleo, em vez de adequar sua produção presente e futura ao consumo nacional, pois estaria prejudicando direitos de acionistas minoritários. Dessa forma, ao aumentar sua produção líquida em cerca de 500 mil barris por dia, de 2006 para 2011, se não existir grande investimento, auferirá lucro líquido imenso, nos próximos cinco anos, do qual 40% serão remetidos para investidores estrangeiros.
A Petrobrás, como empresa energética, já atuando em segmentos das fontes alternativas, ampliaria sua participação, dando forte e estratégico impulso ao setor nuclear, se preparando para o futuro, quando existirá pouco petróleo no Brasil. Nesse novo modelo, em associação com a Eletronuclear, formaria uma Empresa com Propósito Específico, que construiria e operaria Angra 3, transformando olucro do petróleo de hoje no lucro da energia nuclear de amanhã, ou o petróleo de hoje na energia nuclear de amanhã, com relevantes benefícios para a nação brasileira.
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