Formação Étnica


Segundo as colocações de Figueiredo (Amazônia: tempo e gente, 1977), os estudos sobre os contingentes étnicos formadores da sociedade brasileira, iniciados nos anos 30 do século passado através de brasileiros autodidatas e estrangeiros, caracterizaram o que atualmente pode ser considerado como uma falsa elite de intelectuais (meros repetidores de escritos estrangeiros).

  Entretanto, os primeiros cursos, introduzidos por estes autodidatas apesar das limitações, resultaram na formação (a partir dos anos 60) de profissionais e dos atuais centros de referência para pesquisas e pós-graduação sobre o processo sócio-cultural.

A conformação da sociedade nacional, inicialmente resultante das atividades econômicas que balizaram as relações étnicas e culturais fundamentadas no sistema patriarcal de exploração latifundiária, monocultora e escravocrata, teve no indígena, no colonizador português e no escravo africano, os elementos básicos para a produção dos vários tipos humanos brasileiros (cafuso, caboclo,cabra, crioulo, mameluco, mulato, pardo) que posteriormente, diante da emigração italiana, polonesa, alemã, japonesa, entre outras,  e do crescimento demográfico,  configuraram as subculturas regionais, evidenciando a relevância das formações históricas dos processos civilizatórios, da estratificação em  classes e das adaptações ecológicas. 

No estudo desses processos, na conjunção do indígena, do africano e do europeu, há que se considerar as características fisiográficas do território brasileiro e a utilização da mão-de-obra, a exemplo do elemento indígena (como caçadores, coletores, guias, pescadores e remeiros) na extração das drogas do sertão, do elemento negro nos ciclos da cana-de-açúcar e da mineração. 

A ocupação da terra, refletindo variáveis de povoamento, condicionaram a expansão das frentes de penetração, dando aspectos peculiares  ao sistema de plantation analisado por Harris (Padrões raciais na América Latina, 1967) que constituiu a comunidade colonial, onde se estruturaram as classes sociais, e onde os casamentos e as relações ilícitas contribuíram, inicialmente,  para a mestiçagem que favoreceu a transferência  de grandes propriedades e de bens para os filhos de mulatas e cabrochas, caracterizando as atividades econômicas, os modos de vida  e a ocupação da terra.

No estudo desses processos, na conjunção do indígena, do africano e do europeu, há que se considerar as características fisiográficas do território brasileiro e a utilização da mão-de-obra, a exemplo do elemento indígena (como caçadores, coletores, guias, pescadores e remeiros) na extração das drogas do sertão, do elemento negro nos ciclos da cana-de-açúcar e da mineração.

A ocupação da terra, refletindo variáveis de povoamento, condicionaram a expansão das frentes de penetração, dando aspectos peculiares  ao sistema de plantation analisado por Harris (Padrões raciais na América Latina, 1967) que constituiu a comunidade colonial, onde se estruturaram as classes sociais, e onde os casamentos e as relações ilícitas contribuíram, inicialmente,  para a mestiçagem que favoreceu a transferência  de grandes propriedades e de bens para os filhos de mulatas e cabrochas, caracterizando as atividades econômicas, os modos de vida  e a ocupação da terra.

O estímulo aos casamentos entre portugueses e índias, presentes nas Cartas Régias dirigidas às fortificações militares, e a presença das Ordens Religiosas voltadas às atividades religiosas, econômicas e sociais, garantindo e assegurando a presença, a conquista e a posse portuguesas (Las Sociedades Tribales en la Amazonia brasiliana, Figueiredo & Folha, 1977) completam os exemplos de comunidades responsáveis pelo início da formação da cultura nacional.

Ignorando as deformações líricas ou prosáicas, teóricas ou integrativas, a reformulação da política de colonização a partir dos anos 60 com o surgimento do INCRA, imprimiu novas diretrizes nas ações políticas, que aceleraram o processo de marginalização, assimilação ou integração das populações indígenas, porém sem a compreensão de critérios mais amplos para as zonas onde a incidência do processo de desenvolvimento se realiza e onde o destino das sociedades tribais, enquanto sociedades, é de descaracterização progressiva, na medida em que vão se integrando às economias regionais.

O esquema historicista falho do estudo do elemento africano, ao utilizar como fonte os documentos do tráfico  negreiro e do comércio de escravos (João Ribeiro, Sílvio Romero e Pandiá Calógeras), identificou como bantus os grupos étnicos trazidos para o Brasil. Seguiu-se a análise de etnologia comparada de Nina Rodrigues (Os africanos no Brasil, 1947) que ao escorregar no exclusivismo nagô, identifica como sudanesas todas as culturas africanas aqui encontradas. Seguem, na mesma linha, os estudos das sobrevivências culturais africanas orientados por Arthur Ramos (Introdução à Antropologia Brasileira (1951) e O negro na Civilização Brasileira, 1956).Os estudos da história da sociedade patriarcal, voltados para a integração do negro na sociedade brasileira de classes, e de religiões com sobrevivências africanas, marcam uma nova etapa na análise do ajustamento social contida nos trabalhos Carneiro, Bastide, Ribeiro, Leacock e outros, além dos estudos de Freyre (Sobrados e mocambos (1951) e Casa Grande & Senzala, 1952) onde o africano é objeto de análise sócio-histórica com ênfase na economia e na estrutura social.   

    No decorrer de cinco séculos, a unidade nacional parece apontar para o aprofundamento da análise dos componentes das formações sócio-econômicas e sócio-políticas, e da interpretação da função social das ideologias, onde a assincronia da defasagem cultural derivada  do processo de atuação histórica, tipificou a sociedade ao se integrar na economia mundial como colônia escravista, e, posteriormente, como uma formação neo-colonial como assinala Ribeiro (Teoria do Brasil, 1972). 


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RESUMOS HISTÓRICOS/Formação Étnica