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Brasileiro.
Semanalmente serão
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escritos que
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contemporâneo.
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Quinzenalmente,
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GENTE HIPÓCRITA
Reinaldo Azevedo
O Comando de Caça ao Exército Brasileiro, formado pelos Companheiros dos Companheiros Os Amigos dos Amigos (ADA) mandam no Morro da Mineira. E os Companheiros dos Companheiros (CDC) dão as cartas em boa parte da imprensa e, claro, no governo, onde também são influentes os Compadres dos Compadres. A quantidade de sandices escritas em dois dias sobre o Exército Brasileiro raramente teve paralelo na história, até culminar com o pedido de desculpas do ministro Nelson Jobim, da Defesa. Pedido sem dúvida justificado, já que procurava falar, segundo entendi, em nome do estado brasileiro. Mas é claro que se dava ali uma tintura dramática — e um tanto demagógica e populista, com Jobim tomando um cafezinho em copo de geléia oferecido por uma "pobra" — a uma formidável crônica de erros.
É evidente que a ocorrência é grave, mas é patético que o estado brasileiro, por meio de seus governantes e representantes legais, ceda a uma "manifestação popular" que, a esta altura, já está devidamente orientada. E a orientação, como é comum nesses casos, obedece às ordem dos donos dos morros. E a lei vigente por ali não é a do estado brasileiro, mas a do Estado Sem Pátria do Narcotráfico. Explico-me. A polícia do Rio, volta e meia, faz muitos mais vítimas. Não vai longe, uma milícia saiu matando a esmo, com dezenas de mortos. Guerras entre facções podem eliminar dezenas. E nunca se viu a "comunidade" revoltada. Nunca se assistiu a tamanho alvoroço dos Companheiros dos Companheiros. É a velha história: lá no morro, todos são ianomâmis, todos são nhambiquaras, eles que se virem e se matem. Até a Polícia já faz parte da guerra de tribos. A solidariedade dos "formadores de opinião" só aparece quando a "reserva indígena" é "invadida" pelos "brancos" do Exército. Aí os valentes consideram um crime antropológico.
Quanta hipocrisia! Quanta conversa mole! Quando crimes acontecem, costuma-se pedir a punição e a prisão dos culpados. Nesse caso, isso já está dado: os 11 soldados envolvidos na operação estão presos. Então é preciso reivindicar outra coisa. O quê? Ora, a saída do Exército do morro. Ah, é preciso devolver a Mineira a seu verdadeiro dono, não? E quem é? O Comando Vermelho.
Então chegamos ao ponto. Quando a polícia mata traficantes — ou mesmo suspeitos —, tudo bem. Estamos na normalidade. Caso se dê o contrário, e policiais morrem quase todo dia, também não é de se estranhar. Se uma facção entra em choque com a outra, igualmente se trata de algo corriqueiro. Mas o "escândalo" de agora se deu porque soldados do Exército, além de terem cometido um crime, praticaram uma afronta "ética" — segundo a perversa ética vigente por ali: entraram na economia interna dos bandos que comandam o tráfico no Rio. Onde já se viu entregar gente do morro do Comando Vermelho aos chefes do morro dos Amigos dos Amigos? Isso é mesmo um absurdo. O presidente Lula tem mais é que se indignar, não é mesmo?
E aí se abriu a temporada de caça e de cassa ao Exército, uma das instituições que gozam de mais prestígio junto à opinião pública, é bom que se diga. A situação já não vinha bem. Dois soldados que não respeitam o preceito constitucional da disciplina — REITERO: É A CONTITUIÇÃO QUE DIZ, NO ARTIGO 142, QUE AS FORÇAS ARMADAS SÃO ORGANIZADAS "COM BASE NA HIERARQUIA E NA DISCIPLINA" — inventam uma acusação de homofobia e ganham as manchetes. A morte de um cadete durante um treinamento levou a suspeição sobre os métodos empregados pela Força — nota: deve morrer menos soldados nessas circunstâncias do que universitários em trotes de calouros. O trágico episódio do Rio ajudou a forjar a imagem de uma espécie de inimigo da sociedade.
As bobagens foram sendo ditas em cascata: pelos "Companheiros dos Companheiros" da imprensa, que repetiam que a atuação do Exército é inconstitucional — não é, embora deva ser regulamentada por lei complementar; pelos "Companheiros dos Companheiros do governo — Tarso Genro aproveitou para dizer que isso mostra que as Forças Armadas não podem se dedicar a tal tarefa (como se os soldados tivessem agido de acordo com algum código militar); de analistas ligeiros — para quem o evento evidencia que o Exército é mal treinado; do presidente da OAB, Cézar Britto, que resolveu seguir na mesma toada.
E a questão é outra. A manutenção da lei e da ordem é uma das tarefas das Forças Armadas, sim, senhores, e ela precisa ser regulamentada, como lembrou com correção o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), presidente da Comissão de Segurança da Câmara, embora, à diferença dele, eu me oponha a que o Exército deixe agora o Morro da Providência. Agora? De jeito nenhum! Fazê-lo corresponde a ser tangido de lá pelo Comando Vermelho. Ora, que os Tarsos e os Brittos parem de falar e de posar para os holofotes da demagogia e se se mobilizem em favor da regulamentação do parágrafo primeiro do Artigo 142 da Constituição.
Que, sobretudo, parem de se comportar como se a paz antes reinasse no Rio, só interrompida pela ação tresloucada de um tenente e seus subordinados. Os que pedem a saída do Exército do morro — a começar da Defensoria Pública Federal — têm qual proposta para os moradores? Já sei: que fiquem submetidos à canga da bandidagem. Afinal, não podemos interferir nos costumes de índios infanticidas nem nos hábitos dos nativos do morros, cuja "cultura" prevê mesmo alguns atos de violência, não é?
Nota: repararam que não se ouviu uma só crítica aos narcotraficantes? Nada! O maior lobby brasileiro, o mais numeroso e poderoso, é o lobby do crime.
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