OSIRIS
Newsletter nº 25 - 1º/08/08
"O movimento não estraga bens públicos, tradicionalmente. Já ocupou a Receita Federal e não houve nada disso".
Jacques Alfonsín, advogado do MST
e as depredações no INCRA de Porto Alegre.
INVASÃO COM LICENÇA
Nunca diga que “o pior já aconteceu”. Com o MST tudo é possível e nada do que se possa imaginar inatingível é obstáculo para esse “movimento social” que adotou a baderna como referência de luta pela reforma agrária.
Agora já se sabe: o MST invadiu o prédio que serve de sede para as superintendências do INCRA e do Ministério da Agricultura, em Porto Alegre, com licença por escrito do próprio INCRA.
Ontem o colunista conversou com o comandante da Brigada Militar, coronel Paulo Roberto Mendes, que estava de posse de duas autorizações por escrito do INCRA e ambas foram encaminhadas ao Ministério Público para que tomasse ciência dessas esdrúxulas autorizações.
Quando o MST resolveu marchar em direção ao Porto Alegre, no dia 24 de julho, a Brigada Militar interceptou os sem-terra, revistou-os e acompanhou o grupo até a sede regional do INCRA, na Avenida Loureiro da Silva. Lá, para entrar no prédio, foi obtida uma autorização por escrito da superintendência do Instituto, caso contrário, a BM não deixaria o MST permanecer no edifício de oito andares.
A BM ficou com uma cópia do documento de autorização. No início desta semana, um grupo saiu para participar de um encontro na UFRGS e a Brigada Militar decidiu que os que deixaram o prédio do INCRA não poderiam retornar. Eis que uma nova autorização por escrito, semelhante a primeira, permitiu que os participantes do evento na UFRGS voltassem para o prédio.
Surpreendentemente, o INCRA agora quer que a Justiça determine a reintegração de posse e entrou com um segundo pedido ontem, depois de já ter-lhe sido negado outro na última quarta-feira. A Justiça Federal ao negar o primeiro pedido de reintegração, considerou que o Instituto tem autonomia para retirar os sem-terra do local sem a necessidade de ordem judicial.
Mas o que está acontecendo? Como entender a posição do INCRA/RS se ele dá autorização (duas) para o MST fazer do prédio federal um local repulsivo, imundo, sem condições de funcionar como uma repartição pública? Se quisesse e tivesse intenção, o MST sequer teria entrado no edifício. Bastaria um telefonema do superintendente ao coronel Paulo Roberto Mendes.
Portanto, pela primeira vez, o MST não invadiu o prédio do INCRA, mas “ocupou” com licença do Instituto, por escrito. Sem dúvida alguma, uma novidade nesses tempos de barbárie que o MST tem proporcionado a todos os brasileiros. As autorizações mostram apenas que o INCRA é parceiro do MST até mesmo quando este promove desordens e bagunça na própria casa do seu incentivador e admirador.
INGRATIDÃO
O MST, decididamente, é inconfiável e traidor até mesmo de seus mais fiéis seguidores e admiradores. O que os sem-terra fizeram no prédio “ocupado”, com licença do INCRA, é repulsivo. Arrombaram salas, danificaram elevadores, tomaram conta dos corredores com roupas, colchões e tornaram o ambiente irrespirável pelas fezes espalhadas no chão.
RELATÓRIO
A superintendência do Ministério da Agricultura que funciona do quinto ao oitavo andar também teve de paralisar seu trabalho pelas condições lamentáveis do interior do prédio. Um relatório, com imagens da destruição promovida pelo MST está sendo enviado para Brasília. Não vai adianta nada, mas haverá o registro oficial do vandalismo.
PROTESTO
O superintendente regional do MA, Francisco Signor, em entrevista á Rádio Guaíba, nesta quinta-feira, confirmou os prejuízos causados pelo MST e a liberação dos funcionários para voltarem para suas casas por falta de condições de funcionamento da repartição federal.
SERVIÇOS PARADOS
Na superintendência do MA são atendidas duas centenas de pessoas por dia que buscam resolver seus problemas de registro de alimentos, guias de importação e exportação, certificados de trânsito de animais e pendências relativas ao setor rural. Os serviços estão paralisados por causa dos sem-terra.
ENTRADA PROIBIDA
Como os sem-terra controlam o portão principal do prédio, são eles que permitem quem deve entrar e sair do local. Um comitê decide pela liberdade de ir e vir dos usuários e servidores do edifício.
VÍDEOS
Seria interessante, o MA mandar uma cópia para o ouvidor da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. O ouvidor, Fermino Fecchio, disse, no encontro com os sem-terra, na UFRGS, que assistiu a vídeos de atos violentos da Brigada Militar. Ele precisa ver os vídeos oficiais que o MA preparou para documentar o vandalismo do MST.
INCRÉU
Já o advogado do MST, Jacques Alfonsín, diz que não sabe de nada do que ocorreu no prédio do INCRA. Mas isso (a destruição de setores do edifício) não procede, afirmou. O movimento não estraga bens públicos. Então tá.
-----------------------------------------------------------------------------------------