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PARTINDO DE UM CIVIL,
É RECONFORTANTE!!!
REPASSANDO.
ELES EXISTEM!
Marco Antonio
dos Santos
Você quase não os vê (porque são
poucos, para um Brasil tão
grande), mas
eles existem. Aliás, insistem em
fazê-lo.
Eles estão sempre prontos na
hora que o Brasil precisa de
alguém :
eles estão lá na Fazenda
Jarinã-MT! Aceitam morar na
Amazônia e em outros
lugares inóspitos e insalubres;
insistem em continuar cumprindo
com suas atribuições
constitucionais, apesar
de anos a fio de orçamentos
gradativamente depauperados; fazem questão de constituir
famílias (são ousados) e de
tentar sustentá-las
com os minguados salários;
substituem forças de segurança
em greve, cujos
integrantes recebem vencimentos
superiores aos seus (e ainda se
julgam com
direito de majorá -los), só
porque acreditam ser essa sua
missão diante da
Nação que os paga (ainda que
mal) e os alimenta
(parcialmente);
constantemente têm atirados ao
rosto questionamentos a respeito
de sua
utilidade e procuram
justificá-la perante os
ignorantes, revanchistas e
derrotados no campo da luta
ideológica e que se vingam
lançando sobre eles falsas acusações difusas nas
quais espelham, em realidade, o
medo de que a
sociedade os chame de volta,
como sempre o fizeram no passado
histórico
(aliás, a Nação tem o estranho
hábito de recorrer a eles nos
momentos de
perigo).
Por que agem assim? Porque
acreditam em valores e têm
princípios. Além
disso, a hierarquia lhes impõe
submissão. A disciplina, o
silêncio.
Perigo haverá quando deixarem de
acreditar nos valores, perderem
os
princípios (como muitos
segmentos da sociedade já o
fizeram), a hierarquia
for quebrada, a disciplina não
mais justificar o silêncio e não
puderem
cumprir a missão que a Nação
lhes atribui, por terem exaurido
suas forças.
Agora, a elite conjuntural
governante (ou desgovernante)
parece ter um
grande problema.
Como conceder a esses estóicos
anônimos, que não têm o direito
de greve ou
de reivindicação por meio de
outros movimentos paredistas (e
nem devem
tê-los, acredito) a correção do
desgaste nos vencimentos (muito
inferiores
aos de categorias afins)?
Afinal, eles já deveriam ter
desaparecido (embora
sejam partes de uma Instituição
Permanente, como reza a Carta
Magna), mas
insistem em ter os maiores
índices de aprovação popular nas
pesquisas
comparativas em relação a outros
segmentos da chamada sociedade
organizada.
Alegam os usuários do poder
falta de recursos,
comprometimento do superávit
primário, dificuldades com a
previdência etc., toda uma
ladainha que já beira
as raias do ridículo, que a
sociedade já reconhece como
esfarrapadas,
enquanto promovem desmandos e
beneficiam bandidos e
terroristas com polpudas
indenizações vitalícias.
Em realidade, é preciso
tirar-lhes os brios e os
méritos, humilhá-los
ainda mais, quebrar-lhes o
ânimo... Quem sabe, assim,
desistam de existir.
Mas parece que eles têm uma
infinidade de vidas. São piores
que a fábula das
sete vidas dos gatos. Quando
morrem, apenas se reagrupam na
eternidade. Eles
acreditam na Justiça e no ciclo
da História.Talvez tenham
aprendido a
lição e não deixem que ela se
repita. Um de seus antigos
chefes já advertiu
para a cólera das legiões.
Eles são os militares!
Apenas querem cumprir sua
missão. Os políticos ainda não
perceberam que o
risco é infinitamente menor
quando eles estão equipados com
as melhores
armas e idéias que a Nação puder
lhes dar, conforme, sabiamente,
profetizou
o General Douglas MacArthur.
São preparados para sobreviver
na adversidade. Alimentam-se da
fé em suas
crenças. Não pedem muito, apenas
o mínimo - o respeito -, sem
humilhações.
O perigo existirá quando
acreditarem que estão, por isso,
sós.
Marco Antonio dos Santos é
empresário e professor
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