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2008/12/23 Marcos Coimbra <mcoimbra@antares.com.br>
A TRANSFERÊNCIA DA ESCOLA
SUPERIOR DE GUERRA
Prof. Marcos Coimbra
Membro efetivo do Conselho
Diretor do CEBRES, professor aposentado de economia da UERJ
e ex-Conselheiro da ESG.
A ESG foi criada pela Lei nº
785, de 20.08.49, como "Instituto de altos estudos,
subordinado diretamente ao Chefe
do EMFA e destinado a desenvolver
e consolidar os conhecimentos necessários para o exercício
das funções de direção e para planejamento da Segurança
Nacional", pelo Congresso
Nacional e sancionada pelo Presidente
Dutra. Seu art. 2º determina
ainda que "funcionará como Centro
Permanente de Estudos". Ao longo
do tempo, incorporou como objeto de seus
estudos o Desenvolvimento
Nacional, daí surgindo o binômio
Segurança-Desenvolvimento.
A Associação dos Diplomados da
Escola Superior de Guerra (ADESG) já formou, ao
longo dos anos, mais de 70 mil diplomados, muitos em posição
de destaque, pois possui a
missão de difundir a doutrina da ESG. A
propósito, a ADESG foi
desalojada das instalações onde funcionava,
no ministério da Fazenda, encontrando-se agora em
instalações do Exército, no CML. Até o ano em que completou 50
anos (1999) era responsável pela ministração dos seguintes
Cursos: CAEPE; CAEPEM; CSIE;
CEAPE, para estrangeiros; CIMN; CAESG,
além de "Encontros com a ESG",
"Ciclos de Extensão" (CEE) e "Atividades
de Extensão Superior" (AEE). Era comandada então por um
oficial-general de quatro
estrelas. Isto devido ao alto nível de seus
estagiários (mais de 6.000
diplomados)
que têm sido, dentre os civis,
Ministros do Poder Judiciário, Professores, Desembargadores,
e, dentre os militares, oficiais-generais de duas
estrelas, até com três anos de
função. Várias autoridades passaram
pelos seus bancos. Presidentes
da República, Ministros de
Estado, Presidentes de
Tribunais,
Governadores e Senadores.
A partir da administração
Sarney a situação mudou. A ESG
deixou de ter orçamento próprio,
passando ser apenas mais uma
rubrica no EMFA. A pretexto da criação do
ministério da Defesa, antes de
sua apreciação pelo Congresso
Nacional, a administração FHC
começou a demolir a ESG. Inicialmente,
falaram em extinção. Diante da
reação, cogitaram de sua transferência
para Brasília, a "ilha da
fantasia" e, até mesmo, a separação dos
militares dos civis, ficando os primeiros no RJ e os demais em
Brasília. Felizmente, não
lograram êxito. Na época, era a vez de
a Marinha indicar o Comandante,
um Almirante-de-Esquadra, mas tal
não foi feito. Resolveram
rebaixar a posição da ESG. Ela passou a
ser comandada por um general de
três estrelas. Depois de muita
luta, na época do
vice-presidente da República, José de Alencar, no
ministério da Defesa, voltou a
ser dirigida por um
oficial-general de quatro
estrelas. Notícias provenientes de
Brasília informaram então que o ministério da Defesa, por
ordem superior, tinha mandado
modificar radicalmente a ESG. A sua
única chance de sobrevivência
residia na aceitação da substituição dos
seus cursos por um Curso de
Defesa Nacional, o qual não
possuiria, em princípio,
interesse maior para os civis. Além disto, a
alteração do tradicional nome da
Escola para outro, possivelmente,
Instituto de Defesa Nacional, e
sua transferência para
Brasília-DF. A ordem,
evidentemente, partiu de escalão superior. Parece que a
intenção implícita era a de
acabar com a ESG. Se concretizada, é
uma porta aberta para outros desmandos. Ontem, a EMBRAER.
Hoje, a ESG, o DAC. Amanhã, quem
sabe? As próprias Forças Armadas,
com a criação da Guarda
Nacional? Agora, na recente proposta de
Estratégia de Defesa Nacional divulgada, consta do documento
a transferência da ESG para
Brasília, com a criação de cargos
comissionados para agraciar mais
"amigos do rei", sob a desculpa de que
ela está afastada do centro político do poder. Ora, as
três escolas de Estado-Maior das
Forças Singulares estão no Rio de
Janeiro (EGN, ECEME e ECEMAR),
as duas primeiras justamente na Urca,
onde também funciona o IME (Instituto Militar de
Engenharia), além da própria
Escola. O Rio continua a ser o centro
cultural do país e o eixo
Rio/SP/MG constitui o cerne da maior
parte das expressões do Poder
Nacional.
Em Brasília passará a ser mais
um órgão governamental
"aparelhado" partidariamente, a exemplo de
outras instituições que deixaram
de ser técnicas e passaram a
funcionar de acordo com a
prática "gramcista". Inclusive, os
neoentreguistas denunciam que a
ESG é o último bastião dos
nacionalistas, em termos de
formação, nas Forças Armadas. Na ESG sempre
houve a oportunidade de serem ouvidos livremente
empresários, trabalhadores,
professores de diversas correntes políticas.
O próprio Lula participou na
década de 80 de Painel com Roberto
Campos, Sandra Cavalcanti e
Mário Covas. No futuro, isto não
mais será possível.
Se nada acontecer, estará
sendo concretizada mais uma
vingança dos derrotados de ontem,
consubstanciada no esvaziamento
e posterior extinção da ESG, pois creditam
a ela grande parte do insucesso
na tentativa de implantar um
modelo alienígena no Brasil.
Conclamamos a todos, em especial aos que
cursaram a ESG e a ADESG, a
lutar o bom combate por uma
Instituição criada por
brasileiros ilustres como o Mal. Cordeiro de
Farias, o Gen. Juarez Távora, o
Gen. Idálio Sardenberg e tantos
outros, que tantos benefícios
trouxeram e propiciam ao país. Segundo o
Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco: "Nesta casa
estuda-se o destino do Brasil".
Correio eletrônico:
mcoimbra@antares.com.br
Sítio:
http://www.brasilsoberano.com.br
(Artigo escrito em 23.12.08 para
o
MM).
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