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Subject: esta é a realidade da Reforma Agrária...
Date: Fri, 27 Oct 2006 07:13:07 -0300
Coluna do Rogério Mendelski
Assentamento Filhos de Sepé.
"Esta terra tem dono!"
Sepé Tiaraju, personagem que faz parte da história gaúcha
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Quando a Fazenda Santa Fé (que pertenceu ao jornalista Breno Caldas e,
posteriormente, ao
empresário Renato
Ribeiro), localizada
no distrito de Águas
Claras, Viamão (RS),
foi vendida ao
Incra, em 1998, ela
estava destinada a
um
projeto grandioso
para o assentamento
de 371 famílias.
Com a velha quimera de sempre, a propriedade seria transformada num
"assentamento
ecológico modelo"
para o RS. O plano
de produção, já
risível na época,
hoje,
provoca gargalhadas
pela piada em que se
transformou.
Vale a pena relembrá-lo. A área de 9,5 mil hectares foi comprada por R$
17 milhões.
Terras planas: 5,9 mil hectares. Aproveitamento: lavouras de arroz, soja,
milho,
feijão, frutas,
hortaliças, criação
de vacas leiteiras e
ovelhas de corte.
Terras altas: 890 hectares. Aproveitamento: agrovilas, moradias, galpões
e silos.
Zonas pantanosas, mato nativo, barragem e estradas: 2,7 mil hectares.
Aproveitamento:
preservação
ambiental.
Rendimentos projetados: a previsão é de que cada uma das 371 famílias
assentadas
terá rendimento
líquido mensal de
7,89 salários
mínimos - R$
2.761,50 (mínimo
nacional atualizado,
já que a projeção do
Incra foi em SM).
A previsão de safras do assentamento Filhos de Sepé - nome dado pelo MST
à
propriedade - era de
Primeiro Mundo.
Afinal, o Incra
estaria assentando,
na área,
"colonos" que
conheciam a terra e
só queriam uma
chance para
trabalhar nela.
Abaixo, a programação das áreas e suas destinações para a produção em
forma de
cooperativa, com a
respectiva renda
líquida, por safra.
Arroz - 900 hectares - R$ 1.098.000,00. Soja - 1,5 mil hectares - R$
630.000,00.
Milho - 2 mil
hectares - R$
1.034.100,00. Feijão
- 200 hectares - R$
500.000,00.
Hortifrutigranjeiros
- 600 hectares - R$
1.200.000,00.
Pecuária - 700
hectares -
R$ 105.000,00.
Segundo o Incra, em seu plano inicial, a área de 9,5 mil hectares teria
aproveitamento
racional, unindo
produção e
preservação
ambiental. Os
técnicos do
instituto elogiaram
o solo e as
condições da área.
A produtividade do local deveria alcançar alguns dos melhores índices no
Estado.
Tanto que a previsão
era de colher 7 mil
quilos de arroz por
hectares plantado e
a
expectativa era de 3
mil quilos de soja
por hectare.
Como o papel aceita tudo, as 371 famílias estavam sendo assentadas num
paraíso
terrestre, "onde se
plantando tudo dá",
como diria o escriba
chapa-branca Pero
Vaz
de Caminha,
escrevendo o
primeiro
press-release da
história do
jornalismo pátrio,
ao rei de Portugal.
O assentamento do MST Filhos de Sepé é hoje um imenso favelão rural
(basta passar
pela praça de
pedágio em Águas
Claras e olhar à
direita, no sentido
Viamão-litoral).
Lá, já não estão as 371 famílias porque os lotes estão arrendados, em
contratos
frios, mas que até
os sabiás conhecem.
Cestas básicas
continuam sendo
enviadas
para o assentamento.
Uma pequena lavoura
de milho foi
plantada, bem ao
lado
(sempre à direita de
quem vai às praias)
do pedágio. Era um
milho tão vagabundo
que nem mesmo as
caturritas queriam.
Toda a área do assentamento é vigiada pelo MST e ninguém pode cruzá-la
sem
salvo-conduto. Nem o
Ibama nem a Fepam
puderam entrar para
ver a devastação com
a
derrubada de um mato
nativo que foi
cuidadosamente
preservado pelos
antigos
proprietários.
A área já teve uma fauna riquíssima, com veados mateiros, jacarés,
graxains,
marrecões e muito
peixe. Nada se sabe
do destino dela. Em
compensação, deve
ter
uma dezena de
pequenos templos
pentecostais em seu
interior e muita
pregação
revolucionária.
Para finalizar: a produção do assentamento Filhos de Sepé simplesmente
não existe
nos termos em que
foi programada. A
renda de 7,8
salários mínimos por
família foi
apenas uma bravata.
AVISO AO GOVERNADOR
Está programada para a madrugada de segunda-feira próxima a invasão da
Fazenda
Itacurubi, nas
Missões, aquela que
o Incra pagou R$
4.200,00 o hectare e
que a
Justiça Federal
embargou. Será a
primeira ação do MST
após a eleição.
Aviso dado,
jacu deitado.
www.pampa.com.br
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