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NITROGLICERINA
PURA
Perfil
As contas do marido de Marta Suplicy em Cayman
Eis os números, para inicio de conversa: as contas
60.356356086 e 60.356356199, do Trade Link Bank nas
Ilhas Cayman. São controladas por Luis Favre, marido de
Marta Suplicy. Eis a história:
por HUGO STUDART.
Felipe Belisario Wermus, argentino por nascimento e
cidadão francês por adoção, é personagem central das
eleições para a Prefeitura de São Paulo. Você o conhece,
prezado leitor, mas por outro nome Luís Favre – codinome
pelo qual Felipe é chamado nos bastidores da esquerda
brasileira. Companheiro da candidata do PT à prefeitura,
Marta Suplicy, Favre é seu braço direito, melhor amigo,
amado, confidente, conselheiro-chefe, estrategista-mor,
tesoureiro-oculto. Favre é o principal baluarte de
Marta. É também seu ponto mais fraco.
A Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo
têm informações explosivas sobre o companheiro de Marta
Suplicy. A suspeita é a de que um senhor chamado Felipe Belisário Wermus seria o principal elo entre o PT e um
esquema internacional de arrecadação de dinheiro a
partir dos serviços de coleta de lixo nas capitais
brasileiras. Esse esquema teria funcionado em
prefeituras controladas pelo PT, como São Bernardo, Belo
Horizonte, Brasília, Goiânia, Campinas e São Paulo. A
Vega, multinacional francesa de serviços, seria o elo
empresarial do esquema.
A PF suspeita que a Vega controle um grupo de
empreiteiras que ganham licitações superfaturadas para a
coleta de lixo. Em média, 10% de superfaturamento, sendo
5% para as empreiteiras, e 5% para o caixa do PT. Esse
dinheiro era todo repassado ao doleiro Toninho da
Barcelona, que o depositava em contas em paraísos
fiscais controladas por um tal Felipe Belisario Wermus.
Esse dinheiro voltava ao Brasil também por intermédio de
Barcelona.
As autoridades têm os bancos e os números das contas no
exterior, publicadas abaixo. O esquema teria sido
montado antes da eleição presidencial de 2002. Se Delúbio Soares e Marcos Valério montaram o Caixa Dois do
PT no governo Lula, estamos diante da suspeita de que
Luís Favre, hoje favorito para se tornar o
primeiro-companheiro de São Paulo, caso Marta seja
eleita, tenha montado o Caixa Zero.
Vamos aos fatos:
A PRISÃO DE DOLEIRO
Foi doleiro Antônio Oliveira Claramunt, o Toninho da
Barcelona, quem começou a revelar essa história. Ele foi
preso em 2004, numa daquelas operações da Polícia
Federal de caça-doleiros, a Farol da Colina. Revelou que
trocou dólares por reais, entre 1998 e 2002, para
diversos dirigentes petistas, entre eles o deputado
federal José Dirceu, então presidente do partido. Que
fez remessas de dólares para inúmeros empresários e
figurões paulistas, como o advogado Márcio Thomaz Bastos
(ministro da Justiça por ocasião da sua prisão). E
prometeu fazer revelações sobre o assassinato do
prefeito de Santo André, Celso Daniel, do PT, e o
suposto esquema de cobrança de propina de empresas de
ônibus da cidade.
Em seguida Claramunt pediu proteção de vida à PF e
silenciou, aguardando pela negociação de uma delação
premiada para o Ministério Público. Eis que estoura um
caso bem maior, o do mensalão de Dirceu, Delúbio e
Marcos Valério. E Claramunt fica meio esquecido numa
cela da PF em São Paulo. E a cada dia que passa, é
tomado pelo medo de ser vítima de uma queima de arquivo.
Foi nesse contexto que Claramunt se abre com seu
companheiro de cárcere. Ato contínuo, escreve cartas
para sua mulher, em hebraico (ele é judeu), revelando
tudo o que sabia do esquema do lixo do PT. E fornecendo,
inclusive, os números de duas contas que Felipe
Belisário Wermus mantinha em paraísos fiscais.
MEMÓRIAS DO CÁRCERE
Evaldo Rui Vicentini era o companheiro de
cárcere de Antônio Claramunt.. Velho militante
comunista, ex- tesoureiro do PCB (hoje PPS) em São
Paulo, Vicentini fora preso sob a acusação de participar
de um outro esquema de evasão de divisas. Se diz
inocente. Ele acabou se transformando no principal
confidente do doleiro. Conversei com Vicentini logo
depois que ele saiu da cadeia, em 2005. Ele me revelou
uma história escabrosa sobre o companheiro de Marta
Suplicy. Mas como na ocasião ele não tinha documentos,
só o testemunho oral, meu chefe na revista IstoÉ, onde
eu trabalhava, preferiu não publicar. Eis os principais
pontos da história contada por Claramunt a Vicentini:
a) Claramunt enviava dinheiro do Caixa Dois
do PT para paraísos fiscais no exterior. O contato dele
no Brasil era Luis Favre. Ele criou duas contas no
exterior para Favre, ambas com seu nome verdadeiro,
Felipe Belisário Wermus. O dinheiro era repassado para o
Trade Link Bank, agência Miami, e de lá repassado a
Wermus.
b) Esse dinheiro vinha de superfaturamento
da coleta de lixo em prefeituras administradas pelo PT.
O superfaturamento era de 10%, metade para o PT, metade
para as empreiteiras. Vicentini citou na ocasião as
prefeituras de São Bernardo, São Paulo, Belo Horizonte,
Goiânia, Recife, e Brasília, todas petistas (Brasília
não é prefeitura mas, no caso da coleta de lixo,
funciona como se fosse).
c) Uma empresa francesa, a Vega (que chegou
ao Brasil com o nome de Vega Sopave), era a chefe do
esquema. Todas as concorrências dessas prefeituras do PT
eram vencidas ou pela Vega ou por um consórcio de
empresas laranjas da Vega.
d) A Veja Ambientales, holding
latino-americana da Vega no Brasil e que pertence ao
grupo franco-argentino Arcelor, tem sede no Uruguai. É
administrada por uma empresa chamada Pozadas, Pozadas &
Vecino. O procurador da Vega Ambientales é o Sr. Jorge
Altamira. Mais uma coincidência: Jorge Altamira é o
codinome de Saul Belisario Wermus, irmão de Favre, e
conhecido dirigente de uma facção trotsquista argentina
fundada por J.Posadas.
Vicentini também revelou essa história, em
detalhes, a uma companheira de partido, a deputada
Denise Frossard, PPS-RJ, que a repassou para o
Ministério Público.
CARTAS DO DOLEIRO À MULHER
Em agosto de 2005, quando o escândalo do mensalão estava em seu ápice, os repórteres Ugo Braga e
Lúcio Lambranho, do Correio Braziliense, publicaram uma
reportagem relevante, Os dois descobriram que, além de
fazer confidências ao companheiro de cárcere, Antônio
Claramunt enviou uma série de cartas e bilhetes à sua
mulher Patrícia, todas em hebraico, que compunham um
precioso mosaico. Os repórteres conversaram com os
guardiões das correspondências, que deveriam ser
reveladas caso o doleiro fosse assassinado. Na época, em
meio a dólares em cuecas, a matéria acabou não chamando
a atenção. Eis as principais informações:
1) O esquema começava com a cobrança de propinas ou
superfaturamento de contratos, como os de coleta de lixo
ou obras públicas, nas cidades administradas pelo PT –
Santo André, Campinas, Ribeirão Preto, São Paulo,
Recife, Porto Alegre. E cresceu a partir de 2003 com
operações nos fundos de pensão ligados às empresas
estatais;
2) O dinheiro dado 'por fora' ao partido era encoberto
com a emissão de notas fiscais frias de empresas ligadas
ao esquema – Avencar Turismo Ltda., KLT Agência de
Viagens, Appolo Câmbio e Lumina Empreendimentos Ltda.
São as mais citadas;
3) Estas notas eram entregues pelos doleiros – além de
Toninho Barcelona faziam parte Raul Henrique Sraur e
Richard André Waterloo – às empresas achacadas, que com
elas poderiam justificar a saída contábil da propina de
seus caixas mundo afora. A partir daí, iniciava-se uma
cadeia financeira que podia ser percorrida ao longo de
um único dia – operações chamadas day trade – via
computadores de quem a operava.. No máximo, começava num
dia e acabava no outro. Geralmente o dinheiro da propina
era arrecadado em espécie;
4) Os reais eram depositados pelo então tesoureiro do
partido, Delúbio Soares, receptor de toda a bolada, nas
contas de laranjas dos doleiros. Que de pronto
disparavam ordens de pagamento no exterior. No caso do
PT, eles criaram uma trilha própria. Usavam duas
empresas off-shores, chamadas Lisco Oversears e Miro Ltd.,
para mandar dinheiro de contas numeradas respectivamente
no JP Morgan e no Citibank, ambos de Nova York;
5) Debitado da Lisco e da Miro, a bolada seguia para
uma conta corrente da Naston Incorporation Ltd.,
off-shore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso
fiscal caribenho. A Naston é uma sociedade célebre entre
doleiros, pois pertence a Barcelona e a Alberto Youssef,
dois dos mais conhecidos do mercado.
AS CONTAS NUMERADAS DE FAVRE
6) Da offshore Naston, os dólares eram enviados recursos
do PT por estas duas contas numeradas: 60.356356086 e
60.356356199 do Trade Link Bank (braço do Banco Rural,
nas Ilhas Cayman). Essas contas seriam operadas por
'dois' cidadãos, Felipe Belizario Wermusdit, de
passaporte francês, e Felipe Belizario Wermus, de
passaporte argentino. Segundo Toninho da Barcelona, são
a mesma pessoa, Luis Favre.
7) A conta operada pelo passaporte francês remetia
dinheiro para a Trade Link. O passaporte argentino era
usado para remeter dinheiro para a conta Empire State
Scorpus, em Luxemburgo. A conta Empire State tinha uma
subconta no Panamá, que passava pela offshore OBCH Ltda,
que seria administrada por um cubano naturalizado
panamenho chamado Aníbal Contreras, amigo de José
Dirceu.
8) As trocas de dólares por reais, que oscilavam entre
US$ 30 mil e US$ 50 mil, eram realizadas no gabinete do
então vereador Devanir Ribeiro (amigo de Lula dos tempos
do ABC, hoje deputado federal e autor da tese do
terceiro mandato) e integram outro braço do esquema
petista. Nesse caso, o partido mantinha volumes
consideráveis de dólares em dinheiro vivo, escondido em
cofres ou malas ou cuecas, e acionava a casa de câmbio
quando precisava convertê-los em reais. Em geral, quem
ligava para a casa de câmbio Barcelona era o assessor
legislativo da Câmara de Vereadores, Marcos Lustosa
Ribeiro, filho do deputado Devanir Ribeiro. No início de
2002, as trocas eram esporádicas e ocorriam a cada dez
ou 15 dias. No meio do ano, já estavam em ritmo
alucinado, sendo quase diárias, e somavam cerca de R$
500 mil por semana, segundo Toninho Barcelona.
A FORÇA E A FRAQUEZA DE MARTA
O doleiro Antônio Claramunt ameaçou dar as provas ao
Ministério Público mas acabou não fechando acordo da
delação premiada. Convocado à CPI dos Correios, ficou de
boca fechada. Teria fechado acordo sim, mas com o PT.
Mas o fato é que a Polícia Federal e o Ministério
Público passaram a ter em mãos todos os detalhes
necessários para prosseguir com as investigações. E
apuraram muito, de lá para cá, de acordo com minhas
fontes.
Mas o que ninguém seja ingênuo: enquanto Luiz Inácio
Lula da Silva for presidente, não deverá haver qualquer
operação da PF que envolva Favre. A não ser que a facção
tucana na PF consiga fazer algo escondido do diretor da
Federal Luiz Fernando Corrêa. Ou que Marta Suplicy ganhe
a eleição deste ano para a Prefeitura e decisa enfrentar
Dilma Roussef.
De qualquer forma, Felipe Belisário Wermus, dit Luis
Favre, está de volta à ribalta política. É o principal
baluarte (emocional, político e financeiro) da candidata
do PT, Marta Suplicy. É também seu ponto mais fraco.
CONEXÃO PARIS
Nos anos 80, Favre era dirigente em Paris da Quarta
Internacional, organização mundial dos seguidores do
falecido líder comunista Leon Trotsky. Homem de
confiança de Leonel Jospin –mais tarde eleito
primeiro-ministro da França— Favre foi enviado ao Brasil
para convencer as facções locais a se dissolverem no
jovem PT. Acabou amigo íntimo dos chefes trotsquistas de
então, como Luiz Gushiken, bancário e sindicalista, e o
estudante Antônio Palocci, fiel escudeiro de Gushiken.
Foram esses dois, Gushiken e Palocci, principalmente
eles, que pavimentaram o caminho de Favre dentro do PT.
Hoje Favre goza da confiança de François Hollande,
presidente do Partido Socialista francês. Juntos, Favre
e Hollande estão articulando à ascensão de Lula à
presidência da Internacional Socialista, quando ele
deixar o Palácio do Planalto. O ex-primeiro-ministro da
Espanha, Felipe Gonzalez, já teria concordado. Faltaria
apenas acertar os ponteiros com o ex- chanceler da
Alemanha, Gerhard Schröder.
MARTA É A QUINTA
Favre é amigo de Lula há 21 anos. Ele chegou até a
hospedar por seis meses, em seu apartamento em Paris,
Lurian Lula da Silva, a primogênita do presidente. Aos
58 anos, Favre tem um passado de aventuras.
Nasceu num cortiço em Buenos Aires, numa família de
operários peronistas de origem judaica. Só completou o
ginásio. Até os 20 anos, trabalhou como contínuo,
gráfico e metalúrgico. Detido oito vezes pelo regime
militar, exilou-se em Paris.
De pele morena, cabelos grisalhos e olhos azuis, Favre
é, para as mulheres, o protótipo do homem bonito,
charmoso e experiente.. Já foi companheiro da filha de
um grande empreiteiro argentino, de uma americana e de
uma brasileira, Marília Andrade, herdeira da construtora
Andrade Gutierrez. Generosa, Marília chegou a pagar uma
cirurgia plástica para Luriam Lula da Silva. Depois de
Marília, Favre viveu com uma francesa. Marta é a
quinta. Mas sonha ser a última.
Marta e Favre vivem publicamente juntos desde 2000. Ela
assumiu o romance assim que foi eleita prefeita
paulistana. Então largou o marido, o senador Eduardo
Suplicy, e colocou Favre definitivamente para dentro de
casa. Na época, era a casa da família Suplicy.
Casaram-se há três anos.
O franco-argentino (agora também brasileiro) gosta de
bons vinhos, restaurantes caros e roupas de grife. Ele e
Marta costumam quitar suas compras em dinheiro vivo. Favre não tem uma ocupação profissional muita
cristalina. Além de conselheiro da mulher, até uns
tempos atrás, quando indagado, se apresentava como dono
de uma gráfica em Paris. Diz ele que essa é sua
principal fonte de renda. Também representou por muitos
anos a JCD, uma das maiores empresas de out doors e
street media do mundo.
QUERO UM CARGO NO GOVENO
Nos primeiros meses de 2002, com a primeira campanha
presidencial de Lula dando seus primeiros passos em
comerciais de tevê, Favre pilotou uma sala dentro do
comitê central do partido. Ele era consultado sobre a
qualidade de peças de propaganda e sua viabilização.
Marta nunca o deixou na mão.
Com a vitória de Lula, a prefeita exigiu um cargo para
o companheiro na administração federal. Ora pedia com
charme, ora levantava a voz. Na armação do governo, em
meados dezembro, Marta sacou da bolsa Louis Vuitton o
nome do amado para nada menos que a presidência do
BNDES. A expressão de espanto no rosto de Lula foi tão
grande que a então prefeita recuou antes que ouvir a
resposta. Mais modesta, em seguida cogitou alguma
diretoria da Caixa Econômica Federal. Noutra ocasião,
falou na importância de Favre ter um gabinete no Palácio
do Planalto, onde seria intérprete oficial de Lula.
Os petistas, aliviados, descobriram que a lei não
permite a nomeação de estrangeiros para o governo. Até a
eleição de Lula, Favre vinha sendo obrigado a voltar à
França a cada três meses para renovar seu visto de
turista no Brasil. Em janeiro de 2003, ele solicitou ao
Ministério da Justiça um visto permanente de trabalho no
País. Alegou 'união estável' com Marta. Com a forcinha
do ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, o visto
saiu no início de março. Aí Marta voltou à carga pela
nomeação do marido.
Marta sabe mandar e Favre é a pessoa que ela mais
ouve', diz um amigo comum. Dentro do PT, a pressão foi
forte . 'Ela elevou a tensão junto ao presidente ao
insuportável', revela um petista que trabalha no
Planalto. 'Lula deu ordens para atendê-la imediatamente
temendo que suas emoções passionais a levassem a romper
com o partido. Aí, sim, seria um desastre'.
O PASSAPORTE AZUL QUASE SAIU
Naquele início de 2003, sentada na cadeira de prefeita
paulistana, Marta tinha enorme poder sobre Lula. O
presidente ainda se preocupava com algumas dívidas de
campanha, que Marta e Favre ficaram de acertar. Coube a
Luiz Gushiken, então ministro da Comunicação de Governo
e membro do finado 'núcleo-duro' do poder, puxar para si
o problema.
Gushiken inventou para Favre um cargo de Assessor de
Comunicação Internacional do governo. Arrumou um DAS-5
para ele, salário de R$ 5.800 mensais na época. Não era
muito. Mas pelo menos ele estaria com um pé no poder
federal, com cartão de visitas oficial, acesso aos
gabinetes. Ah, o mais importante: Gushiken também
ofereceu um passaporte especial de cor azul, o mesmo a
que os Ministros de Estado têm direito.. Favre estava
com um pé e meio no governo.
Só não pisou com os dois sapatos porque foi acusado, na
véspera da nomeação, de ter recebido US$ 300 mil para
facilitar concessões de linhas de ônibus pela prefeitura
de São Paulo. O autor da denúncia, Gelson Camargo dos
Santos, acabara de ser preso por estelionato,
falsificação de documentos e formação de quadrilha.
Lula, que ainda nutria algum recato em relação à
proximidade com suspeitos, disse a Marta que Favre
precisava se livrar do escândalo antes de ser nomeado.
Na época, numa conversa ao telefone, Favre me disse o
seguinte: 'Achei melhor adiar por uns dias minha ida a
Brasília'. E acrescentou: 'Agora vou ter que esclarecer
essas histórias absurdas'. Simulava confiança,
obviamente: 'Não há nada de concreto, é só um
estelionatário dizendo que eu estaria envolvido num
esquema'.
O INIMIGO DIRCEU
José Dirceu festejou as boas novas. Ele e Favre já foram
amigos. Isso faz muito tempo. Mas durante a campanha
presidencial, os dois brigavam quase todos os dias.
Dirceu reclamava que o Favre se intrometia em tudo. 'Ele
queria decidir até o que um deputado federal pode ou não
falar na TV', queixou-se. Hoje há queixas semelhantes na
campanha para a Prefeitura paulistana.
Abertas as urnas, Dirceu e Favre quase trocaram
empurrões no alto do palanque da festa da vitória, na
Avenida Paulista.. Em seu território, Favre quis
resolver quem podia ou não chegar perto de Lula.
Durante
um Carnaval em São Paulo, os dois apenas apertaram as
mãos no camarote da prefeita Marta – e depois não
conversaram. De lá para cá, ele não mudou. Ao contrário.
Só aumentou sua característica de resolver tudo.