Repassando . glenp
----- Original Message -----
Subject: Disciplinados, mas não mortos
------------------------------------------------------------------------------
DISCIPLINADOS, MAS NÃO MORTOS
Era evidente que o livro Direito à Memória e à Verdade,
publicado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos e lançado em meio a
proselitismo filo-revanchista no Palácio do Planalto, iria gerar uma reação dos
militares. Mormente porque o ministro da Defesa, Nelson Jobim, resolveu ir um
pouco além de suas sandálias, dando um cala-boca preventivo nas três Forças.
Pra quê? Com que objetivo? Ganhou o quê?
Se bem se lembram, ao se referir à obra, ele afirmou:
"Não haverá indivíduo que possa reagir. E, se houver, terá resposta". Pois é. Os
"indivíduos" reagiram. Não um. Mas todos os 15 generais quatro estrelas, que se
reuniram, liderados por Enzo Martins Peri, comandante do Exército, para divulgar
uma nota. De repúdio ao livro? Não exatamente. Mas de claro repúdio à tese
estúpida que prega a revisão da Lei de Anistia.
E agora? Que resposta Jobim pode dar? Nenhuma. Até porque não tem
autoridade funcional para punir ninguém. O máximo que pode fazer é pedir a Lula
que mude este ou aquele comandantes. Só. Mais: a nota do Exército é
irrespondível e está absolutamente correta: "A Lei da Anistia, por ser parâmetro
de conciliação, produziu a indispensável concórdia de toda a sociedade (...).
A reunião não foi das mais amenas, embora a nota tenha
sido - foi previamente submetida a Jobim, que teve de engoli-la. Enzo atuou para
acalmar os generais, que estavam dispostos a um texto bem mais duro. Um deles
disse a frase que está lá no título: os militares estão "disciplinados, mas não
mortos".
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/