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Repassando.
PRENDO, ARREBENTO E PRONTO!
ENTENDERAM?
Rebeca Santoro
Ninguém prestou muita atenção à
informação de que a operação da
Polícia Federal para prender
'gente fina', entre as quais o
banqueiros Daniel Dantas, o
investidor Naji Nahas e o
ex-prefeito de São Paulo Celso
Pita, teria sido informada ao, e
'liberada' pelo, presidente
Lula, na véspera de sua execução
(veja vídeo do Jornal da BAND,
abaixo).
Isso é praxe? É uma curiosidade
que tenho...
Como se sabe, entre as prisões
pedidas pela PF e não
autorizadas pelo judiciário,
estava a do petista, ex-deputado
federal e advogado, Luiz Eduardo
Greenhalgh, e a do publicitário
Guilherme Henrique Sodré
Martins, considerado o "melhor
amigo" do governador da Bahia,
Jacques Wagner (PT), além de ter
sido casado com a atual mulher
de Wagner, Fátima Mendonça.
Uma conversa telefônica, gravada
com autorização da Justiça,
entre Greenhalgh e o
chefe-de-gabinete do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva,
Gilberto Carvalho, foi um dos
motivos que levaram a Polícia
Federal a pedir a prisão
preventiva do petista, que, ao
telefone, pedia a ajuda de
Carvalho para tentar localizar o
procedimento investigatório em
curso na Justiça Federal e na PF
contra Dantas, seu cliente.
Segundo o delegado Protógenes
Queiroz e o procurador Rodrigo
De Grandis, Greenhalgh atuava
como um braço político de
Dantas, fazendo contatos com o
governo federal e com o
Congresso Nacional. O pedido de
prisão do deputado e de busca e
apreensão na residência dele
foram rejeitados pelo juiz
federal Fausto Martin de Sanctis.
Também foram escutas telefônicas
que levaram a PF a apontar o
publicitário Guilherme Henrique
Sodré Martins, conhecido como
Guiga, como porta voz político
da suposta organização
criminosa, em nome de Dantas.
A
PF prendeu 17 pessoas dos 24
mandados de prisão expedidos,
além de ter apreendido
documentos, computadores,
veículos e dinheiro em espécie,
nas cidades de São Paulo, Rio de
Janeiro, Salvador e em Brasília.
Os mandados foram expedidos pela
6ª Vara Criminal Federal de São
Paulo. Menos de 24 horas depois,
onze dos presos, dentre eles
Daniel Dantas, foram liberados
por decisão do STF, que entendeu
que as provas já haviam sido
recolhidas e que não havia mais,
portanto, como os réus poderem
prejudicar as investigações. No
mesmo dia da liberação, porém,
algumas horas depois, a prisão
preventiva de Daniel Dantas foi
novamente decretada pela Justiça
Federal.
As prisões de Daniel Dantas, de
Naji Nahas e de Celso Pita foram
acompanhadas pelas câmeras da
Rede Globo de televisão, com
exclusividade (clique no quadro
ao lado). O ministro da justiça,
Tarso Genro, mandou abrir
sindicância para investigar mais
esta irregularidade da operação.
Por outro lado, foram estas
câmeras que trouxeram a público
a atuação desproporcionalmente
violenta de agentes da PF sobre
um vigia da residência de Naji
Nahas, que foi humilhado,
ameaçado, empurrado e preso –
tudo porque se recusava a abrir
o portão para aqueles homens
armados e aparentemente
exaltados que se diziam
policiais federais cumprindo
mandado. De fato, eles estavam
dizendo a verdade, mas, no
Brasil de hoje, quem é que não
teria duvidado? Aliás, um dos
detidos pela operação da PF, o
executivo Itamar Benigno Filho,
ligado ao banqueiro Daniel
Dantas, também achou que se
tratava de assalto e se escondeu
sob a pia de sua residência - os
agentes tiveram de arrombar a
porta para prendê-lo.
As críticas à operação da PF por
parte de autoridades do
judiciário e do legislativo
ficaram por conta do
sensacionalismo e não da
operação em si. Mas, ninguém
pode deixar de notar que o rigor
da polícia federal com os
protegidos do PT e do Planalto
não é o mesmo que o aplicado a
gente, ou que não lhes é
simpática ou que não lhes diga
respeito. Não fosse assim, todos
os amigos do Planalto envolvidos
no escândalo mensalão não
estariam soltos e atuando
normalmente na sociedade, entre
outros envolvidos ainda em
outros crimes.
Esse pessoal que foi preso,
muito provavelmente, está
envolvido em falcatruas até o
pescoço. Não há dúvidas de que,
em se comprovando, legalmente,
seus crimes, eles devem pagar
por isso. O que não pode é uns
pagarem e outros não –
coincidentemente, quem não paga
são os amigos do Planalto. É
que, em se tratando desse
pessoal, digamos, mais chegado,
só se admite, como prova
consistente e aceitável de que
tenham cometido os crimes de que
são acusados, a confissão por
escrito e com assinatura
reconhecida em cartório - todas
as outras provas, quaisquer que
sejam, não são consideradas
suficientemente comprobatórias.
Apesar disso, Tarso Genro disse
que a operação serve para
mostrar que 'não existe (sic)
mais intocáveis no país'.
A
afirmação é para fazer a gente
rir ou chorar?
Além do fato de haver os
publicamente conhecidos
intocáveis do PT, e de alguns de
seus aliados, existem, sim,
milhares de outros intocáveis,
famosos ou não, e não
necessariamente sob a área de
atuação da PF.
Perdoem, leitores, mas é que
Tarso Genro é ministro da
Justiça e não da Polícia
Federal, entendem? É por isso
que precede a observação a
seguir.
Pesquisa sobre "Taxa de
Impunidade Penal", realizada
pelo Núcleo de Estudos da
Violência da Universidade de São
Paulo (NEV-USP), revelou que
apenas cinco em cada 100
boletins de ocorrência
registrados, só na capital
paulista, são investigados pela
polícia. Os números são muito
preocupantes: de 1.630 estupros
registrados, apenas 364 foram
transformados em inquéritos
policiais; de 109.831 registros
de ocorrência de roubos, apenas
5.362 se transformaram em
inquérito. Já para roubo seguido
de morte, uso e tráfico de
entorpecentes, a relação entre
registros e apurações é mais
proporcional: roubo seguido de
morte (latrocínio) teve 372
registros, dos quais 250 foram
investigados; o uso de
entorpecentes teve 1.389
boletins de ocorrência e 1.249
deles se transformaram em
inquérito; e no tráfico de
entorpecentes, de 672 registros
nas delegacias, 623 foram
convertidos em inquérito.
Para resumir, vamos traduzir a
operação da PF e as falas do
ministro:
Não há dinheiro, fama, poder ou
o que quer que seja que possa
proteger uma pessoa, que não
faça parte da nomenklatura
petista, das garras do Estado
fascisto-policialesco. Não há
nada que possa proteger do poder
de repressão e de coerção do
Estado aqueles que se atreverem
a desafiar a nomenklatura. Não
se trata somente de desafiar a
Lei; o que não se pode mesmo é
desafiar a nomenklatura e o
Estado aparelhado, que conta com
uma polícia política do tamanho
da que Tarso Genro está
dirigindo no momento. Antes
dele, adotando modelo semelhante
de direção do órgão, estava
Márcio Thomás Bastos. O crime
está sendo, aos poucos e
disfarçadamente, privatizado – é
pra isso que se prendem os
adversários. Todo mundo entendeu
bem direitinho?!
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