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Original Message -----
From: Maria Luiza
To:
luizasouza@globo.com
Sent: Sunday, April 08, 2007 9:04 AM
Subject: Indignação


SE EU PUDESSE SER OUVIDO...

VAlte(Ref) Sergio Tasso Vásquez de Aquino

 

Se eu pudesse ser ouvido pela Nação Brasileira e, principalmente, pelos Comandantes e integrantes das Forças Armadas, dir-lhes-ia que os políticos mal-intencionados, que se convertem nos governantes perversos e nos legisladores divorciados e exploradores do povo e espoliadores das riquezas nacionais em proveito próprio, não têm temor a Deus, respeito pela Lei, pelo direito e pela justiça e caridade e compaixão para com a pobreza e a miséria de tantíssimos, que sob elas vergam, se afligem e são humilhados em nosso País. Só respeitam e temem a espada de Dâmocles sobre suas cabeças, da vigilância militar indormida em defesa da Pátria, da paz e da concórdia, como tanto e tantas vezes demonstrado em nossa História.

 

O episódio atual, da loucura governamental em tentar passar a mão pela cabeça dos controladores de vôo, sargentos da Força Aérea, amotinados e em franca sublevação contra a hierarquia e a disciplina, essenciais a qualquer organização militar, de atender a todas suas absurdas reivindicações, apresentadas como o ultimato da chantagem contra o direito de ir e vir dos brasileiros, bem ilustra o a que me refiro. Diante da justa, firme e indignada reação do estamento militar, em defesa das bases mesmo do seu existir e do seu dever, os artífices do caos bateram em retirada, exibindo feições preocupadas e medrosas, bem captadas pelas imagens da televisão, e pressa pânica em fazer o dito pelo não-dito, arvorando-se oportunisticamente em "novos e intransigentes" defensores da hierarquia e da disciplina! Estas, se houvessem sido feridas de morte, como pretendiam, fatalmente provocariam o fim das Forças Armadas como instrumentos fundamentais da defesa dos interesses da Nação, como sempre foram em nossa História, ficando preparado o ambiente para o advento de "forças revolucinárias do povo" ou "exército de libertação nacional", de sinistros propósitos.

 

Desde 1990, quando da entronização do primeiro governo neoliberal, subordinado a interesses estranhos ao Brasil, na minha condição de Vice-Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, elevei lealmente aos meus superiores, das Três Forças, minhas preocupações quanto ao previsível rumo dos acontecimentos, que considerava prejudicial ao Brasil. Em dezembro de 1992, na Reunião do Conselho dos Almirantes, transmiti a todos os meus pares a confirmação dos meus temores, pelos fatos concretos que haviam determinado o "impeachment" do presidente, pedindo que aproveitássemos a trumática substituição no poder, que então se havia processado, para, estribados nos valores e na fortaleza ética e moral que sempre haviam caracterizado as Forças Armadas, pelos canais hierárquicos adequados e a quem de direito, clamarmos por mudança consentânea de rumos na condução dos negócios de Estado. Pretendia que, dentro da normalidade democrática, as Forças Armadas voltassem a ser ouvidas e consideradas, como conselheiras acatadas, altruístas e patriotas do Presidente da República, sem quaisquer ambições que não a de contribuir decisivamente para a paz e o progresso do Brasil. Seria a volta do seu papel histórico de "Poder Moderador da República". Se eu, e todos os que pensavam da mesma forma, tivessem sido ouvidos então,
creio que bem diferente, e melhor, seria a situação hoje...

O segundo e longo governo neoliberal, extenso de oito anos, agravou a neutralização das Forças Armadas, pela criação do Ministério da Defesa, que tanto combati, desenhado para afastá-las do primeiro plano da Política Nacional e fazê-las cada vez mais sem ingerência no equacionamento e na
solução dos grandes problemas do Brasil. Ao mesmo tempo, adotou, como orientação governamental, negar-lhes os recursos mínimos para reaparelhamento e aprestamento, necessários ao cumprimento da missão, e relegar seus integrantes à categoria de servidores de segunda classe do Estado, pela remuneração cada vez mais aviltada, em face de outros setores do próprio Executivo, para não falar de Legislativo e Judiciário. Era a própria confirmação do complô para "aniquilar as Forças Armadas, para aniquilar as nações da América Ibérica", tanto e tantas vezes denunciado e
combatido pelos patriotas de todas as nossas nações! Já na Reserva, falando e escrevendo, tudo fiz, do pouco ao meu alcance, para defender a soberania
do Brasil, a integridade do patrimônio nacional, a dignidade das Forças Armadas, alvos também de revanchismo explícito e de ataques mentirosos, que falseiam diuturnamente a verdade histórica e ensejam pagamento de inconcebíveis "indenizações" a quem, efetivamente ou até mesmo
pretensamente, participou de ações guerrilheiras ou terroristas; a moralidade e a ética na gestão da coisa pública; o desenvolvimento e a segurança do Brasil, ameaçados pelos cultores da "globalização", nova versão do colonialismo, da subordinação do País aos ditames do mercado internacional da usura e do retrocesso às grandes conquistas e realizações perpetradas pelo brasileiros do passado, inclusive recente.

 

Foram, assim, de forma planejada e programada, criadas as condições para o advento daquilo que estamos vivendo desde 2003, curiosa, mas mortal mistura de neoliberalismo com marxismo muitas vezes extremado, sempre às expensas da ordem e do progresso e do Brasil-potência e do futuro dos seu filhos. Agravou-se o quadro gestado pelos longos anos do mandarinato neoliberal, que deu azo ao projeto de implantação da "nova ordem" em nossa terra, em plena execução. Os anos recentes, de baixa eficácia e eficiência, de aparente falta de rumos na gestão da coisa pública, têm sido maculados pela corrupção e pela impunidade crescentes; pelo aparelhamento do Estado em favor de
"companheiros", amigos, correligionários, aliados e associados; pela generalização da violência; pelo sucateamento ampliado de saúde, saneamento, educação, geração de empregos, previdência social, habitação, ciência e tecnologia, infraestrutura de transportes, energia e comunicações; pela desimportância concedida às Forças Armadas, aos seus justos reclamos por recursos para operacionalizá-las adequadamente e conceder condições de vida digna aos seus briosos e dedicados integrantes; pela tibieza na defesa dos interesses nacionais, agredidos e usurpados por parte de países vizinhos supostamente amigos; pela aceitação da ingerência externa em nossos assuntos
internos, por dirigentes de "países amigos" e ONGs de todas as atividades, longitudes e latitudes; pela leniência no trato das violências e arbitrariedades cometidas pelos ditos "movimentos sociais"... O ponto mínimo foi agora alcançado, com o apoio inicial do governo ao motim dos sargentos controladores de vôo, juntamente com a promessa de impunidade pelo crime cometido e de atendimento total às reivindicações que tão indevida e truculentamente haviam apresentado!

 

Felizmente, o Anjo do Brasil zelou por nós na undécima hora, e as Forças Armadas, feridas naquilo que têm de mais sagrado, finalmente reagiram com firmeza e energia! Somos gratos a Deus, que olhou pelo Seu povo e pela Sua Terra de Santa Cruz, e pedimos-Lhe que suscite, no coração dos Comandantes e responsáveis pela Forças Armadas, hoje e pelos tempo afora, junto com todas as virtudes militares que jamais deixaram de cultuar e praticar, o renascimento da vocação histórica, silenciosa, mas vigilante de Poder Moderador da República, garantia do governo justo e bom e esperança de dias melhores para o Brasil e seu povo, de acordo, com a luta, o sofrimento, o sacrifício, o suor e o sangue derramados, através dos tempos, por aqueles que construíram, guardaram e defenderam o País-colosso. Que o Senhor-Deus das Marinhas, dos Exércitos e das Forças Aéreas ouça nossa prece! Amém!

Rio de Janeiro, RJ, 04 de abril de 2007.

 


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