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Msg para " economês " .
Difundindo . glenp .
----- Original Message -----
Sent: Sunday, September 09, 2007 9:50 PM
Subject: Repassando
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Observem que opinião bem colocada. De quem já foi marxista. Diz-se hoje
que quem
tem "dois dedinhos" de inteligência não é marxista ou deixou de ser. Caminha.
Excelente artigo, claro preciso e
conciso
Domingo, 2 de setembro de 2007
O Estado de S. Paulo
Socialismo petista e outros atrasos
Mailson da Nóbrega
Na abertura do excelente artigo
"Justiça e novas tecnologias" (Estado,
24/8/2007), o governador José Serra citou Mário de Andrade, para quem
"ninguém pode se libertar duma só vez das teorias-avós que bebeu". Serra
criticou, com sólidos argumentos, a decisão do STF que anulou um
interrogatório por videoconferência. "Não é apenas na literatura que a
tradição e o preconceito embaraçam a descoberta do que é novo, moderno e
pode ser muito útil", assinalou, coberto de razão. Sua conclusão se aplica
não apenas aos juízes, mas a todos que não percebem nem entendem as novas
realidades. É o caso do 3º Congresso do PT, que termina hoje e começou com a
"defesa dos projetos globais sobre o socialismo".
Ora, a realidade é o capitalismo.
Como mostrei em meu livro O futuro chegou
- instituições e desenvolvimento no Brasil, o capitalismo é mais antigo do
que Matusalém. Cristo expulsou os vendilhões do templo que faziam o comércio
na casa de Deus, mas o que eles praticavam era uma forma primitiva de
capitalismo. Hoje vigora o "sistema capitalista" - expressão equivalente a
"economia de mercado" - no qual a atividade econômica se move pelos sinais
dos preços em regime de concorrência, gerando incentivos para a eficiência e
a inovação. O capitalismo contemporâneo iniciou com mudanças institucionais
do século 17 na Europa, que limitaram o arbítrio dos reis, garantindo o
direito de propriedade e o respeito aos contratos.
Em meados do século 19, a utopia
socialista prometia substituir o
capitalismo. Um poder central coordenaria os interesses de todos. Seriam
abolidos a propriedade privada, a moeda e o mercado, tidos como obstáculos à
organização racional da sociedade. O comunismo seria etapa intermediária
dessa revolução social, como dito por Marx e Engels no manifesto de 1848. O
socialismo real soviético fracassou por não ser capaz de criar os incentivos
que impulsionam o investimento privado e geram bem-estar, terreno no qual o
capitalismo é imbatível. A literatura econômica provou a superioridade do
capitalismo sobre o planejamento central socialista, indicando que as
imperfeições do mercado devem ser enfrentadas pela regulação econômica
conduzida por agências autônomas.
No pós-guerra, os socialistas da
Europa Ocidental entenderam que a maioria
rejeitava suas idéias. A intervenção estatal keynesiana foi a maneira de
admitirem a atividade privada sem aderir inteiramente ao capitalismo. Nos
anos 80, visões dos socialistas e conservadores convergiram nas questões
econômicas. O capitalismo triunfou, mas os ideais socialistas da redução das
desigualdades permaneceram. Por conveniência, socialismo e trabalhismo
continuam na denominação de partidos de esquerda europeus. O velho
socialismo sobrevive nos regimes autoritários de Cuba e Coréia do Norte e
inspira o insondável "socialismo do século 21" do caudilho Chávez. Ainda
encanta parte do PT e líderes de Bolívia, Equador e Nicarágua.
No Brasil, a Constituição e o governo
Lula adotam os princípios do
capitalismo, mas muitos que se dizem de esquerda não conseguem superar o
paradigma marxista, que os impede de entender as idéias básicas de uma
economia de mercado fundada em instituições fortes e políticas sociais em
favor dos pobres. Estão nesse clube muitos dos "desenvolvimentistas" que
acham que o Estado é raquítico e querem sua liderança para prover
infra-estrutura, controlar capitais e câmbio, direcionar o investimento
estrangeiro, fornecer crédito de longo prazo, garantir juros camaradas e por
aí afora.
Embora o governo do PT pratique o
sistema capitalista, a idéia não penetrou
o partido. O 3º congresso mostrou que lhe falta o amadurecimento dos
socialistas europeus. Uma prova é o vídeo disponível no endereço
http://www.youtube.com/watch?v=VNPjm0qfByc,
que explica o "socialismo
petista" e fala em extinguir o capitalismo e em transformar trabalhadores em
"classe dominante no poder do Estado". O vídeo defende a mudança política
radical, argumentando que nenhuma classe venceu "sem colocar o poder
político do Estado a seu serviço". Nada mais bolorento e alienado.
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