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TRIBUNAL SEM VISÃO

 

O transcurso do julgamento da demarcação contínua ou não da Reserva Raposa Serra do Sol, desde a publicação do voto do Relator respectivo, mostrou que os juízes da mais alta instância judiciária do País não conhecem a questão em toda a sua profundidade e complexidade ou não se sensibilizaram para aspectos fundamentais que dizem respeito ao que há de mais importante : a soberania, integridade e unidade nacionais. Julgaram sem qualquer visão política e estratégica de mundo, pleno de pressões dos países mais fortes, de interesses em choques, principalmente econômicos, levando por vezes a conflitos violentos. Enclausurados em seu fausto, mostraram-se distantes da realidade em que o País e as comunidades indígenas se inserem na atualidade, voltados para um passado no qual os princípios de Rondon se aplicavam a selvagens sem qualquer contato com a civilização branca e não aos atuais índios, a maioria aculturados, que usam celular, aplicam na bolsa, administram negócios próprios, têm curso superior e capacidade de representar seus iguais e defender os seus respectivos interesses como o fez a advogada, oriunda de uma das tribos, em pleno STF. E se alguns vivem em indigência, deve-se a uma política indigenista nefasta, a órgãos de governo incapazes, funcionários ineptos e corruptos. Se alguns são manipulados pelo CIMI, por ONGs estrangeiras e por aproveitadores, a culpa é do Governo Federal que não exerce o controle e fiscalização que se fazem necessárias. A incredulidade, a surpresa e a revolta com o resultado, até o presente, do julgamento, me levam a algumas indagações aos eminentes Magistrados .

Saberiam eles :

- que a soberania brasileira sobre a nossa Amazônia tem sido contestada, publicamente, por diversas autoridades estrangeiras,? Que nesta semana, foi contestada pelo Sr. Jean-david Levitte, assessor diplomático do Presidente da França, a dois dias da visita deste último ao nosso País ?

- que a Amazônia vem sendo ocupada por várias entidades estrangeiras, algumas financiadas por governos do primeiro mundo, sem fiscalização efetiva, moldando diversas tribos à satisfação de seus respectivos interesses, lesando a nossa soberania, colocando em risco a nossa segurança, integridade e riquezas ?

- que tais entidades, a guisa de defenderem o meio-ambiente, direitos humanos, democracia, autodeterminação, defesa de minorias, qualidade de vida, etc...omitem seus reais objetivos de controle de vasta Região, rica em água e biodiversidade, ensolarada, plena de minerais ricos e estratégicos ?

- que não há necessidade de autorização para empresas estrangeiras, com sede no Brasil, comprarem terras na região Amazônica, neutralizando o que prescreve a lei 5709 de 1971? Que paulatina e imperceptivelmente estão ocupando a Região? Que o governo não tem controle sobre quem são os estrangeiros proprietários nem quantos milhões de hectares foram comprados ? Que o INCRA não tem dados de cadastro, pois, os estrangeiros não são obrigados a identificar a nacionalidade respectiva ?

- que a lei 11.284, de 2/3/2006 criou as Unidades de Florestas de Preservação, com o falso argumento de evitar o desmatamento e o aquecimento global, muitas já em mãos de estrangeiros e somando meio milhão de quilômetros quadrados?

- que a lei acima referida permite concessões por 40 anos, prorrogáveis por outro tanto, para a exploração de florestas públicas em até 40% do território nacional ? Que os critérios de licitação tendem a favorecer as empresas estrangeiras e não a brasileiros ?

- que foi noticiado ter o então Presidente FHC prometido ao Príncipe Philip, do Reino Unido, destinar 10% do território brasileiro a unidades de conservação? Que o Príncipe Philip tem estado à frente de pressões sobre autoridades brasileiras para a cessão de terras na Amazônia, através da WWF, instituição ligada à família Real birtânica ?

- que em 1999, em seminário de ONGs ambientalistas, a maioria estrangeiras, realizado em Macapá, foram previstos 50 milhões de hectares de floresta da Amazônia para serem "conservadas"? Que em março de 2000 o Banco Mundial aprovou o projeto bem como a instituição de Fundo para o custeio de novas áreas de conservação ?

- que em agosto de 2002, foi criado o maior parque de floresta tropical do mundo, com 3,9 milhões de hectares, na fronteira da Guiana Francesa, no Amapá, sendo o Brasil engajado no projeto do Banco Mundial, do WWF, criado desde 1998 ?

- que assim surgiu o projeto ARPA  ( Amazonian Regional Protected Áreas ) com o objetivo de manter conservado mais de 40% do território da Amazônia, com 14 reservas ambientais já criadas, 10 em fase de implantação? Que as unidades de conservação no Estado do Amazonas já somam 4 milhões de hectares ?

- que o governo do Brasil, criminosamente, dá uma contrapartida em dólares para tais projetos, que ferem a soberania nacional ?

- que a reserva Ianômani, demarcada em faixa contínua, em 1991, mede 94 mil km2, contendo somente 4000 a 5000 índios, grupos hostis entre si ? Que tal reserva é riquíssima em ouro e diamantes e em minerais estratégicos como nióbio, berílio, terras raras, titânio e zircônio, à semelhança da reserva Raposa Serra do Sol, ferindo a unidade da Nação ?

- que aprovada a demarcação contínua de Raposa Serra do Sol as famílias denominadas não–indígenas, ali assentadas e trabalhando,  bem como operários e patrões brancos serão expulsos da reserva, contrariando o art. 3, IV ( promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça,.... ) e o art. 5, inciso XLII ( A prática do racismo é crime inafiançável e imprescritível ) da Constituição federal ?

- que a FUNAI divulgou que os gestores do Projeto integrado das Populações e Terras Indígenas da Amazônia legal, isto é, METADE DO TERRITÓRIO NACIONAL, é o Banco de Reconstrução Alemão, Banco Mundial, Ministério Federal de Educação e Pesquisa da Alemanha, PNDU e GTZ ( do Ministério de Cooperação Alemão )? Onde está a soberania brasileira ?

- que o total das reservas indígenas já soma 1,1 milhões de Km2 ( 110 milhões de hectares ), cerca de 13% do  território nacional, para pouco mais de 400 mil índios? Que a Região Sudeste, a mais populosa do País, 75 milhões de habitantes, tem menos de 928 mil quilômetros quadrados ?

- que as nossas Forças Armadas, hoje sofrendo inaceitáveis problemas decorrentes de sucateamento material, não conseguem, apesar do esforço dos seus quadros, manter efetiva vigilância na Região ?

- que o Conselho de Defesa, onde se sentam os Comandantes das Forças Armadas, única presença Federal efetiva na Região Amazônica, em contato direto e diário com os seus complexos problemas, não foi instado a se manifestar sobre a questão ? 

Custo acreditar que homens investidos de tão grave missão, conhecendo as respostas acima e os seus reflexos para integridade territorial, soberania e unidade  nacionais, com os pés na realidade, possam colocar em risco o País e a Nação. Se assim o for, este é um tribunal sem visão!

 

Este artigo foi escrito fundamentado em publicação do Economista e Pesquisador, Dr. Adriano Benayon, com relevantes trabalhos publicados em defesa dos interesses da Nação e a quem dirijo a minha admiração. 

 Gen Marco AntonioFelicio da Silva

 

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