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MEMORIAL DE ERROS DA
TRANSIÇÃO
Villas Bôas Corrêa
06.12.2006 |
A
sentença embalada na
ambigüidade do jeito
lulista de alternar
as marteladas na
ferradura com as
pancadas rítmicas no
ferro, não é apenas
o palpite de uma
alteração no
calendário
gregoriano, mas, e
principalmente, o
reconhecimento da
herança de erros e
fracassos do
primeiro mandato.
Com o atestado de
óbito antes do
último suspiro do
moribundo.
Muitas vezes citada
e repetida, merece
mais uma reprodução
na forma precisa com
que foi cunhada,
como os recados da
esperteza para
tampar o rombo que
se amplia na reta do
último mês das
aflições antes do
bis: “O dado
concreto é que não
estou pensando em
2006. Estou pensando
em 2007, 2008, 2009
e 2010”.
O
presidente-reeleito
empurra a pedra para
soterrar o pífio
crescimento de 0,5%
da economia no
terceiro trimestre
deste ano. E que, na
projeção dos
economistas, deve
rebaixar o índice do
Produto Interno
Bruto (PIB) para
abaixo de 3%, ao
redor de 2.8%.
A
evidência do ano
perdido, com o rolo
compressor passando
por cima da
esmagadora
consagração
eleitoral carimbada
por mais de 58
milhões de votos,
inspirou a curiosa
alteração da
folhinha. Mas, pelo
visto, sem grande
sucesso. A tapeação,
com o toque de
ingenuidade, só
piorou o soneto, que
já ia mal nos
rabiscos dos
primeiros versos com
a equivocada
condução das
alianças
partidárias,
espichada como
novela, em capítulos
que não se encadeiam
na lógica do enredo.
Para
empurrar a roda do
tempo, Lula apelou
para a sua
experiência como o
maior líder sindical
do país na
articulação de
greves: alongar a
negociação para
superar em etapas as
resistências
patronais. Acontece
que são coisas
absolutamente
diferentes. Ao
delongar os
intermináveis
entendimentos com
cada partido que
considera
conquistável, o
presidente desgasta
a autoridade que se
afirma exatamente na
decisão pronta e
firme, excita as
ambições e aguça o
apetite dos que
aguardam na fila a
hora e a vez de
apresentar as suas
reivindicações. E a
goela dos políticos
é um poço sem fundo,
nada satisfaz a sua
voracidade. Tanta
conversa para atrair
o PMDB,
francamente...
Presidente-reeleito
não é obrigado a
reformar o
ministério. Pode
conservar todos os
34 ministros e
secretários, trocar
alguns e manter
outros. Para não
paralisar o governo,
como acontece, o bom
senso recomenda a
providência
elementar de reduzir
o nevoeiro das
dúvidas e baixar as
expectativas com a
confirmação dos que
serão mantidos.
Misturar todos no
mesmo balaio de fim
de feira dá no que
estamos assistindo:
o governo de mãos
atadas, tocando a
rotina essencial
pela virtual
presidente em
exercício, a chefe
da Casa Civil, Dilma
Rousseff, com a
ajuda de dois ou
três ministros da
cota presidencial.
E, no
reino da molenga
bagunça para passar
o tempo, o
presidente conversa,
discursa, viaja,
distribuiu
declarações, posa
para fotografias e
câmeras de TV e
anuncia o êxito de
acordos com partidos
que se coçam para
saltar a cerca
arrombada e cair no
terreiro palaciano
para disputar as
fatias na divisão do
bolo. E só quanto
cada um estiver com
o prato cheio,
poderá comemorar a
conquista de mais
alguns votos na
inconstância de um
Congresso que
chafurda no lameiro
da desmoralização e
não é confiável.
O
preço do erro tático
do reeleito empilha
faturas alarmantes.
O governo perdeu o
comando político do
país em todas as
áreas vitais. A
ressaca da
desobediência inunda
o Judiciário,
exposto no triste
espetáculo chinfrim
das picuinhas
internas pelo
aumento dos
vencimentos de
ministros,
desembargadores,
juízes, promotores
na corrida para
furar o teto
constitucional com
as chicanas da
rabulice.
Só
falta, como fecho de
ouro, a demissão da
ministra Marina
Silva por imposição
dos defensores do
desenvolvimentismo
ao preço da
destruição das
nossas reservas
ambientais, já
bastante reduzidas
com a conivência
oficial.
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